A MUSICA QUE OUVE É UMA OFERTA DA BRIGHAM YOUNG UNIVERSITY

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Aula de Encerramento do Curso Especial O Livro de Isaías

“(...)PORQUE GRANDES SÃO AS PALAVRAS DE ISAÍAS”(...) – (3 Néfi 23:1)

(por Edson Artêmio dos Santos [Baseado no artigo homônimo de Hugh Nibley])

Queridos alunos e alunas. Sinto-me estremamente tocado pelo Santo Espírito de Deus nesta ocasião solene.

Nunca tinha feito algo semelhante no encerramento de uma classe de estudo no SEI. Porém sinto que esta classe, em especial, foi a classe do ano. Talvez devido a nossa intenção e comprometimento de tornar estes encontros semanais em momentos de consagração ao Pai e de busca de orientação do grande mestre e professor designado para este tempo, o divino Espírito Santo.

O Espírito que reinou em nossa primeira aula, foi algo inesquecível e até hoje sou grato por tão boa recepção de cada um de vocês. Eu os amo e respeito e sei que tudo o que foi vivenciado nesta classe foi obra de sua boa vontade de aprender e viver o que aprendeu.

Hoje, dentro deste mesmo espírito original, senti que deveríamos encerrar este semestre de estudo, com uma solenidade, uma aula solene, onde proponho que todos nós, busquemos saber se nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo, aceitou esta oferta que lhe entregamos a cada quarta-feira nesta sala. A oferta, não de apenas uma aula, mas de mentes dispostas, corações solícitos, olhos atentos, ouvidos abertos, lábios corteses, mãos calorosas e disposição irrestrita para aprender e viver o que era ensinado.

Esta é minha proposta e propósito nesta noite. Entregar ao Senhor este semestre de estudo de um Livro que foi indicado por Ele mesmo, como um estudo prioritário e por que não afirmar obrigatório:

“ E AGORA eis que vos digo que deveis examinar estas coisas. Sim, ordeno-vos que examineis estas coisas diligentemente, porque grandes são as palavras de Isaías.
Porque ele certamente falou sobre todas as coisas relativas a meu povo, que é da casa de Israel; portanto é preciso que ele fale também aos gentios.
E todas as coisas que ele disse foram e serão cumpridas de acordo com as palavras que ele disse.”(3 Néfi 23:1 - 3)

Esta solene declaração do Senhor Jesus Cristo, preservada no Livro de Mórmon, foi cumprida hoje? Podemos estar tranquilos e certos de que “examinamos” este livro em todas as suas possibilidades? Creio que ainda não. Gostaria de salientar novamente, que o objetivo deste curso é desmitificar que o Livro de Isaías é uma obra incomprencível; provar que, sob a divina orientação e reunindo um conhecimento básico do Plano de Salvação, podemos incursionar por estas páginas e examinar as grandes palavras de Isaías.

O erudito SUD Hugh W. Nibley, com toda a sua severidade, afirmou:

“O livro de Isaías é um tratado para os nossos dias; a nossa própria aversão a ele é testemunho de seu grande valor.”

Isso se dá em parte a linguagem rebuscada e poética de Isaías, mas mais ainda por sua mensagem dura contra a iniquidade. Sua mensagem não é popular. E o pior de tudo, sua mensagem é direcionada, principalmente ao único grupo de pessoas na Terra capazes de compreende-lo: Os Santos dos Últimos Dias.

O mesmo erudito, Hugh Nibley, afirma que existe um processo entre os estudiosos para tentar tornar o livro de Isaías mais aprazível. Devo confessar que muitas vezes durante a preparação de algumas aulas pensei o mesmo, pensei se deveria atenuar algumas de suas declarações, porém em todas as vezes, senti que vocês não precisavam disso, que mereciam ouvir e saber o que o Senhor sente a respeito desta Terra, tanto as suas promessas de glória como a realidade das trevas e do pecado.

Gostaria de ressaltar alguns dos enganos que os eruditos cometem ao tentar amenizar a mensagem de Isaías.

1) Isaías é um profeta moralista e não ensina a doutrina. Errado, desde o v. 2 do capítulo 1 ele está ensinando a doutrina pura do Evangelho (doutrina da paternidade de Deus). Ocorre que Isaías não discorre sobre os rudimentos da doutrina, mas entende que vocês já estão prontos para entenderem com mais profundidade. Coisas como a restauração, Livro de Mórmon, Joseph Smith, Templo está tudo ali!
2) A idéia de que o Deus de Isaías é selvagem, vingativo, o Deus do Velho Testamento. Errado, o Deus de Isaías é a prórpia bondade, é o Deus Servo do cap. 53, só Ele é capaz de fazer semelhante convite, a nós pecadores: “Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra.” (Isaías 1:18-19) Quem não quer ouvir tal Deus é a Israel pecadora.
3) A idéia de que Isaías dirige sua pregação a grupos especiais. Errado ele fala para uma única audiência. Ele fala para todas as gerações, em todos os tempos e lugares. Sua mensagem é única e decisiva para todo o ser humano nesta Terra que precisar do arrependimento.
4) A idéia de que existem dois ou três “Isaías”. Errado. Isaías é um só, assim como sua mensagem é única e sua audiência também. Ele é um vidente, ele viu cada dispensação e pode apresentar a sua mensagem para cada uma delas. A prova definitiva disto está no Livro de Mórmon, onde suas palavras são citadas na íntegra antes do exílio Babilônico.
5) A ênfase de que Isaías pregou somente contra a idolatria e a religiosidade pagã. Errado. Ele salientou que o pecado não era a idolatria pura, mas sim a substituição da da culpa que vem pela Lei de Deus, pela autorização muda do ídolo. O ídolo não se manifesta contra nada que o seu adorador fizer. O ídolo é impessoal e amoral. Semelhante ao dinheiro que temos no banco. Suas práticas saciavam seus apetites e paixões e mortificavam seu espírito.

Neste Livro sagrado, Deus manifesta as características de comportamento que Ele desaprova e que aprova.

Os principais vicios que ele denuncia são os vicios de pessoas bem sucedidas. Não vejo isso como uma apologia do fracasso, mas como uma advertência a substituição do que realmente tem valor para Deus e vem primeiro – O Reino de Deus. Como afirma Nibley:

“A iniqüidade e tolice de Israel não consistem em preguiça, nem em não se vestir bem, usar cabelo comprido, ser não-conformista, promover idéias e programas liberais, radicais e não realistas, nem na irreverência às tradições, desdém para os ídolos estabelecidos, e assim por diante. O povo mais iníquo do Livro de Mórmon são os Zoramitas, um povo próspero, patriótico, empreendedor, trabalhador, corajoso, independente e orgulhoso que muito bem-vestidos observavam rigorosamente as práticas religiosas todas as semanas. Dando graças a Deus por tudo que lhes havia dado, prestavam testemunho de Sua bondade. Sustentavam-se em todos os seus atos por uma auto-imagem lindíssima. Pois bem, o que há de errado com tudo isso? Há um fato que estraga tudo, e é a mesmíssima coisa que deixa Israel de mal com o Senhor, de acordo com Isaías. Os judeus observavam estritamente as regras que Moisés lhes deu—“E eis . . . que clamam a Ti,” mas na verdade estão pensando em outra coisa. “Eis, ó meu Deus, seus suntuosos ornamentos . . . todas as coisas preciosas . . . seu coração está preso a estas coisas e, no entanto, clamam a ti, dizendo: Agradecemos-Te, ó Deus, por sermos um povo escolhido por ti, enquanto outros perecerão” (Alma 31:27-28).”

Ao contrário é um povo que cumpre os ritos da lei de Moisés, é um povo que, modernamente, cumpre os requisitos externos da Lei de Cristo, mas que recebe a condenação de Deus “Pela iniqüidade da sua avareza me indignei, e o feri; escondi-me, e indignei-me; contudo, rebelde, seguiu o caminho do seu coração.”(Isaías 57:17) E sobre eles o Senhor falou em revelação moderna: “Contudo, sendo que alguns de meus servos não guardaram o mandamento, mas quebraram o convênio por cobiça e com palavras falsas, amaldiçoei-os com uma maldição severa e dolorosa.” (D&C 104:4)
A cobiça e a avareza impera em nossa sociedade moderna! Isaías condenou a opressão como o grande pecado social. É uma das principais características da Babilônia antiga e moderna (Isaías 14:4) É o retrato de uma sociedade competitiva e predadora consagrada por esta imagem:

“E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte.” (Isaías 56:11)

Ou nas palavras de Corior, o anti-Cristo:

“E disse-lhes muitas outras coisas semelhantes, afirmando-lhes que não poderia haver expiação para os pecados dos homens, mas que o quinhão de cada um nesta vida dependia de sua conduta; portanto cada homem prosperava segundo sua aptidão e cada homem conquistava segundo sua força; e nada que o homem fizesse seria crime.” (Alma 30:17)

Ele descreve as pessoas mundanas com atualidade surpreendente:

“Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedice; e continuam até à noite, até que o vinho os esquente!” (Isaías 5:11) – Uma vida sem propósito!

Estupidificam-se pelo ritmo da música:

“E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos.” (Isaías 5:12)

Seu servilismo à última moda:

“Diz ainda mais o SENHOR: Porquanto as filhas de Sião se exaltam, e andam com o pescoço erguido, lançando olhares impudentes; e quando andam, caminham afetadamente, fazendo um tilintar com os seus pés;” (Isaías 3:16)

E apresenta o lado negro do seu comportamento sexual quando compara Jerusalém com duas das cidades mais iníquas da história: Sodoma e Gomorra (Isaías 1:10,21), que representam a fina contravenção a lei de castidade. A aceitação completa do homosexualismo, a fornicação e o culto ao sexo livre em escala demoníaca.

Em suma ele apresenta o seu líder máximo e supremo exemplo de conduta, Lúcifer: “Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.”(Isaías 14:12-13)

Paradoxalmente Isaías também não ressalta as características esperadas de um sud – motivação, iniciativa, indústria, emprendedorismo, trabalho duro e piedade – todas elas passíveis de verificação externa e portanto sujeitas a contaminação e ao vício por puderem surgirem motivadas pelo egoísmo e perpetuadas pela rotina hipócrita.


Ele apresenta um Salvador que foi rejeitado e desprezado (Isaías 53:3) – cujo sacrifício supremo é visto pelo mundo como uma loucura e tem seu momento culminante em um instrumento de suplício reservado aos piores malfeitores. Isso faz perguntar-mos a nós mesmos – o que é ser bem sucedido?

Mais do que sucesso material o Senhor espera um povo limpo e puro. No primeiro capítulo o Senhor diz “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal.” (Isaías 1:16)

Ele espera um povo que é reto em tudo o que faz: “O que anda em justiça, e o que fala com retidão; o que rejeita o ganho da opressão, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal.” (Isaías 33:15)

Ele espera um povo que compreende como e porque devemos jejuar. Fazendo com que o jejum se torne em uma participação do processo de salvação própria e do próximo. E questiona:

“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?
Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” (Isaías 58:6-7)

Ele espera um povo que aceitou o convite do Senhor gratuíto: “Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi.” (Isaías 55:1-3)

E por conta de pessoas com estas características o mundo será transformado:

“Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar.”(Isaías 11:9)

“O DESERTO e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa. Abundantemente florescerá, e também jubilará de alegria e cantará; a glória do Líbano se lhe deu, a excelência do Carmelo e Sarom; eles verão a glória do SENHOR, o esplendor do nosso Deus.

Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo. E a terra seca se tornará em lagos, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos.” (Isaías 35:1-2, 6-7)

O perdão é extendido a todos, estrangeiros ou párias. Unicamente bastando aceitar o convênio e viver a altura dele.

“Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram. (Isaías 56:8)

Por tudo isso, eu sei que grandes são as palavras de Isaías. São maiores do que eu. E oro que Ele aceite esta oferta feita hoje.

Em nome de Jesus Cristo,

AMÈM.





Os Escritos de Isaías no Livro de Mórmon


Passagens de Isaías no Livro de Mórmon

De todos os escritos proféticos disponíveis nas placas de latão de Labão, Isaías é o principal recurso usado durante todo o Livro de Mórmon. Aproximadamente um terço dos sessenta e seis capítulos de Isaías são encontrados dentro o Livro de Mórmon.
Os dois grandes blocos de capítulos de Isaías (2-14 e 48-54) estão distribuídos entre quatro livros (1 Néfi, 2 Néfi, Mosias e 3 Néfi). Também, Isaías 29 é citado em 2 Néfi. A seguinte relação mostra onde os vinte e um capítulos de Isaías são encontrados no Livro de Mórmon:


Isaías 2-14 em 2 Néfi 12-24 são 13 capítulos
Isaías 29 em 2 Néfi 27 é 1 capítulo
Isaías 48-49 em 1 Néfi 20-21 são 2 capítulos
Isaías 50-51 em 2 Néfi 7-8 são 2 capítulos

Isaías 52 em 3 Néfi 20 é 1 capítulo
Isaías 53 em Mosias 14 é 1 capítulo
Isaías 54 em 3 Néfi 22 é 1 capítulo


Versículos adicionais de Isaías, na maior parte dos mesmos capítulos citados na relação acima (veja os itálicos abaixo), estão distribuídos por todo o Livro de Mórmon:

Isa 5:26 * em 2 Néfi 29:2 Isa 11:4 em 2 Néfi 30:9
Isa 11:5-9 em 2 Néfi 30:11-15 Isa 11:11a * dentro 2 Néfi 25:17a; 29:1b; cf 25:11
Isa 22:13 * em 2 Néfi 28:7-8 Isa 25:12 * em 2 Néfi 26:15
Isa 28:10.13 * em 2 Néfi 28:30 Isa 29:3-4 * em 2 Néfi 26:15-16
Isa 29:5 * em 2 Néfi 26:18 Isa 29:14a * em 1 Néfi 14:7a;
22:8a; 2 Néfi 25:17b; 29:1a
Isa 29:15a * em2 Néfi 28:9b Isa 29:21b * em 2 Néfi 28:16a
Isa 40:3 * em 1 Néfi 10:8 Isa 45:18 * em 1 Néfi 17:36
Isa 49:22 * em 1 Néfi 22:8; 2 Ne 6:6 Isa 49:23a * em 1 Néfi 22:8b; 2 Néfi 10:9a
Isa 49:23 em 2 Néfi 6:7 Isa 49:24-26 em Néfi 2 6:16-18
Isa 52:1a * em Morôni 10:31 a Isa 52:1-2 dentro 2 Néfi 8:24-25
Isa 52:7 * em 1 Néfi 13:37; Mosias 15:14-18 Isa 52:7-10 em Mosias 12:21-24
Isa 52:8-10 em Mosias 15:29-31; 3Néfi 16:18-20 Isa 52:10 * em 1 Néfi 22:10-11
Isa 52:12 * em 3Néfi 21:29 Isa 52:13-15 * dentro 3 Néfi 21:8-10
Isa 53:8.10 * em Mosias 15:10-11 Isa 54:2b * em Morôni 10:31a
Isa 55:1 * em 2 Néfi 26:25 Isa 55:1-2 em 2 Néfi 9:50-51

* Denota as passagens de Isaías que foram parafrasedas no Livro de Mórmon.
Nestas passagens citadas de Isaías, aproximadamente um terço dos versículos têm grandes diferenças quando comparado a Versão da Bíblia do Rei Tiago(KJV) - isto é, mudanças ou adições do texto que muda ou amplía significativamente o sentido do versículo. Outros um terço dos versículos de Isaías no Livro de Mórmon têm frases menores ou mudanças na pontuação que não alteram o sentido do versículo; e um terço são exatamente os mesmos que corresponde as passagens bíblicas.


Finalidades das Citações de Isaías no Livro de Mórmon

Os profetas Néfi, Jacó, Abinádi, o Salvador Resssurreto, todos citam as palavras de Isaías ao ensinarem no Livro do Mórmon. Usam basicamente as passagens de Isaías pelos seguintes objetivos:

 para instruir a casa de Israel sobre suas promessas do convênio
 para enfatizar os eventos chaves e profecias que relacionam-se aos últimos dias, e
 para destacar significativas profecias messiânicas de Isaías.

A primeira finalidade básica do Livro de Mórmon é ensinar a Israel sobre os convênios e profecias (veja a página título, segundo parágrafo no Livro de Mórmon). As passagens de Isaías cumprem esta especial finalidade. Como por exemplo, Isaías 48 contém elementos de um contrato de convênio, e de Isaías 49 inclui algumas grandes promessas do convênio para a casa de Israel. Néfi cita estes capítulos logo depois que seu povo chega no mundo novo, e ele então ensina-os sobre as promessas do convênio (1 Néfi 22:7-12). Mais tarde, depois que Jacó cita Isaías 50 e 51, indica àqueles a quem leu " a fim de recordar os convênios que fiz com os filhos dos homens; e para que eu estenda a mão pela segunda vez a fim de recuperar o meu povo, que é da casa de Israel.”(2Néfi 29:1). Séculos mais tarde, o Salvador ressurreto usa Isaías 52 e 54 enquanto apresenta seus ensinamentos sobre a lei e os convênios (3 Néfi 15-16) e seu discurso sobre os povos do convênio (2 Néfi 20-22). Jesus promete que as palavras de Isaías serão cumpridas, “cumprir-se-á então o convênio” (3 Néfi 20:12; comparar com o versículo 46). Assim, uma finalidade principal de Isaías no Livro do Mórmon é ensinar sobre os convênios e promessas à casa de Israel.


Outro papel importante de Isaías no Livro de Mórmon é ensinar os leitores sobre as profecias chaves associadas ao reino de Deus nos últimos dias. O significado dos Templos e da liderança sacerdotal (Isa 2 e 2 Néfi 12), julgamentos de divinos dos filhos de Sião (Isa 3-5 e 2 Néfi 13-15), invasão de Jerusalém pelos exércitos do norte (Isa 10 e 2 Néfi 20), o impacto dos servos e profetas (Isa 11 e 2 Néfi 21), a queda de Babilônia espiritual (Isa 13-14 e 2 Néfi 13-14), e o impacto do Livro de Mórmon e outros registros sagrados vindos do pó (Isa 29 & 2 Néfi 27) são todos citados por Néfi ao fornecer comentário inspirado adicional em em 2 Néfi 25-33. Estas profecias de Isaías destacam muitos eventos significativos em partes diferentes do mundo. Com introspecções de Néfi, ajudam-nos compreender completamente a obra de Deus nos últimos dias assim nós podemos saber que não estamos esquecidos por Deus (página de título do Livro de Mórmon).


A segunda finalidade principal do Livro de Mórmon é convencer os judeus e os gentios de que JESUS é o CRISTO (página de título, segundo parágrafo). Abinádi e Néfi citaram Isaías como uma importante testemunha do sacrifício expiatório de Cristo. Uma das passagens messiânicas mais poderosas em Isaías é o “cântico do servo sofredor” no capítulo 53. O profeta Abinádi cita este capítulo enquanto ensina o rei Noé e seus sacerdotes (Mosias 14). Abinádi com seu comentário inspirado ajuda-nos a compreender como Cristo pode fazer a intercessão por seus seguidores, como prometido por Isaías (Mosias 15). Profecias messiânicas adicionais de Isaías, capítulos 6-9, são citadas por Néfi como um prelúdio a seu grande testemunho sobre Cristo (2 Néfi 25, 31-33). Isaías é usado como forte testemunha profética de Cristo no Livro de Mórmon
.
Estudando Isaías sob a perspectiva do Livro de Mórmon

Ao estudar Isaías no Livro de Mórmon, estude o material em pequenas unidades, geralmente capítulos individuais ou, pequenos grupos de capítulos.

 Primeiramente, leia o material relevante. Leia os cabeçalhos dos capítulos
onde os livros de Isaías são citados no Livro de Mórmon. Em seguida, leia os versículos mais importantes destes capítulos de Isaías. Então leia o capítulo todo de Isaías. Finalmente, esteja certo ler os versículos(e às vezes os capítulos) das passagens de Isaías acompanhando o comentário profético dado!
 Segundo, revise as idéias principais ou mais importantes em sua mente. O que você, neste momento, recorda do material que são conceitos significativos. Identifique a mensagem particular de maior valor para você. Você pode “aplicar alguma mensagem para você mesmo”? (1 Néfi 19:23-24).
 Em terceiro lugar, estude uma pequena seção do material de cada vez, apenas alguns versículos. Podem ser os versículos, que para você, destacam a mensagem principal.. Pode compreender uma maior ou menor parcela de leitura, ou apenas uma parcela que você sente que quer estudar com maior profundidade. Releia aqueles versículos dentro de seu o contexto e use então as notas de rodapé do Livro de Mórmon e da Bíblia[Bíblia em Inglês]. Anote todos os esclarecimentos do hebraico ou idéias da tradução de Joseph Smith (TJS). Leia e cruze os versículosos referidos nas notas de rodapé em seu contexto. Olhe as indicações temáticas doGuia de Tópicos(TG)[o Topical Guide das escrituras em inglês, as escrituras em português possuem o Guia de Estudo das Escrituras], e veja se alguma outra passagem de Isaías trata do mesmo tema; então leia as passagens. Passe os olhos através das outras listas de temas e notas do Guia de Tópicos e veja se outras passagens dentro das Obras Padrão que fornecem idéias para estes conceitos. Releia os versículos e considere se pode haver algum termo, nomes, etc.. o qual pode estar no Dicionário da Bíblia; veja se alguns deles forem alistados. Prepare um breve esboço das idéias ou palavras chaves da seção de versículos. Tente identificar todos os modelos poéticos ou paralelismos. Releia a seção, e pondere como ela se ajusta dentro do seu contexto no Livro de Mórmon.
 Finalmente, durante este estudo, siga a admoestação de Morôni de ao estudar as escrituras você lê, lembra, pondera e ora (Morôni 10:3-5).

Você terá uma grata surpresa com o quanto você pode aprender com seus estudos de Isaías no Livro de Mórmon!


Victor L. Ludlow
(Ph.D. em Oriente Médio e Estudos Judaicos, pela universidade Brandeis)
Professor de Escrituras Antigas
Coordenador de Estudos do Oriente Médio no Centro David Kennedy para Estudos Internacionais na BYU



Fonte: http://ce.byu.edu/ed/edweek/handouts/2006/20.pdf (Em inglês)

Traduzido por Edson Artêmio dos Santos em 14/08/2007.

DEZ CHAVES PARA COMPREENDER ISAÍAS


1 Se nossa salvação eterna depender de nossa habilidade de compreender os escritos de Isaías tão inteiramente e verdadeiramente como Néfi os compreendeu - e quem dirá que tal não é o caso! - como faremos, naquele grande dia, que como Néfi, passaremos pelo agradável tribunal Daquele que diz: “grandes são as palavras de Isaías”? (3Néfi 23:1.)
2 Para Laman e Lemuel, as palavras de Isaías eram como um livro selado. Os irmãos mais velhos do jovem Néfi podiam ler as palavras e compreender a língua escrita pelo grande vidente de Israel, mas quanto à visualizar em suas mentes seu verdadeiro significado profético, era como se lessem as palavras escritas em um idioma desconhecido.
3 O Senhor Ressurreto ordenou aos Nefitas e a toda a casa de Israel, incluindo nós, e, neste sentido, todas as nações dos gentios, "examineis (...) diligentimente (...) as palavras de Isaías. Por que ele certamente falou”, diz o Senhor, “todas as coisas relativas a meu povo, que é da casa de Israel; portanto é preciso que ele fale também aos gentios. E todas as coisas que ele disse foram e serão cumpridas de acordo com as palavras que ele disse.” (3Néfi 23:1-3.)
4 Laman e Lemuel são protótipos da maioria da cristandade moderna. Eram quase totalmente incapazes de compreender as difíceis doutrinas deste antigo profeta, e por sua falta de discernimento espiritual encontram-se no caminho descendente que conduz à destruição eterna.
5 Quando o pai Leí disse “muitas coisas grandiosas que eram de difícil compreensão, a menos que se perguntasse ao Senhor” rebelaram-se contra os seus ensinamentos e recusando ”olhar para o Senhor” para aprender seu significado verdadeiro. Néfi perguntou, “Haveis perguntado ao Senhor?” para aprender o significado verdadeiro da palavra profética, responderam, “Não perguntamos, porque o Senhor não nos dá a conhecer essas coisas.”

6 Então Néfi citou-lhes – na própria linguagem do Senhor Deus - a grande promessa e lei por meio da qual todo homem pode vir a saber o significado verdadeiro da palavra revelada: “Se não endurecerdes vosso coração e me pedirdes com fé, acreditando que recebereis, guardando diligentemente os meus mandamentos, certamente estas coisas vos serão dadas a conhecer.” (1 Néfi 15:1-11.)

7 Néfi disse: “... minha alma deleita-se nas palavras de Isaías…” (2Néfi 25:5.) Pessoalmente, tenho um sentimento a respeito de Isaías e suas palavras, eu busco sentir a mesma coisa que Néfi sentiu e penso que se espero ir onde Néfi e Isaías foram, terei de falar melhor a sua língua, pensar os seus pensamentos, saber o que sabiam, acreditar e ensinar o que acreditaram e ensinaram, e viver como viveram.
8 Pode ser que minha salvação (e a vossa igualmente!) simplesmente dependam de nossa habilidade de compreender tão inteiramente e verdadeiramente os escritos de Isaías quanto Néfi os compreendeu.
9 Por que Néfi ou Isaías saberiam qualquer coisa que para nós está escondido? Não esse um Deus que estima todas as pessoas como seus filhos igualmente? Não nos tem dado a sua promessa e nos apresentado os termos e condições de sua lei pelos quais podemos receber a revelação da mesma forma que revelou a eles?
10 Se o senhor Jeová revelou a Isaías “que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Isa. 7:14); que o ”menino” será “deus forte, pai da eternidade”, que reinará ”com juizo e com justiça para sempre” (Isa. 9:6-7); que dará “a sua alma como oferta pelo pecado” e terá a sua “sepultura com o perverso” (Isa. 53:9-10); se sua promessa redentora à todos os homens for: “Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão”(Isa. 26:19); que ele coligará Israel nos últimos dias e “os resgatados do SENHOR voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.” (Isa. 35:10); e os povos “olho a olho verão, quando o SENHOR fizer Sião voltar” (Isa. 52:8); se estas e outras verdades gloriosas foram conhecidas por Isaías e Néfi, devem ser escondidas de nós? Porque se qualquer um destes profetas soube por que nós não sabemos? Não é o senhor Jeová nosso Deus também?

11 Permita-me a liberdade de reconhecer que muitos povos consideram Isaías de difícil compreensão. Suas palavras são quase totalmente incompreensíveis para as igrejas do mundo. Néfi disse, ”...pois eis que Isaías disse muitas coisas que, para muitos de meu povo, eram de difícil compreensão …” (2Néfi 25:1.) da mesma forma dentro da igreja verdadeira, entre aqueles que devem ser iluminados pelo dom Espírito Santo, existem aqueles que saltam os capítulos de Isaías no Livro de Mórmon como se fossem parte de um livro selado, que talvez lhes seja mesmo. Embora, como muitos supõem, Isaías seja o profeta mais difícil de se entender, suas palavras estão também entre as mais importantes para serem conhecidas e ponderadas. Alguns Santos dos Últimos Dias tem conseguido abrir o selo e capturar uma rápida visão das maravilhas proféticas que vieram de sua pena, mas o nível entre os Santos quanto a isto é pouco mais do que o fulgor da vela no que concerne a este grande e precioso tesouro.
12 Mas a visão do vidente Isaías não necessita ser escondida sob um alqueire; suas palavras proféticas podem e devem iluminar e brilhar no coração de cada membro da Igreja. Se houver aqueles que desejam verdadeiramente ampliar e aperfeiçoar o seu conhecimento do plano de salvação e do relacionamento do Senhor com a Israel dos Últimos Dias - tudo em harmonia com seu mandamento de procurar diligentimente as palavras de Isaías (3Néfi 23:1) - Eu posso dar-lhe a chave que abre a porta para essa inundação de luz e de conhecimento que fluiu da pena dessa testemunha de Cristo e suas leis, que em muitos aspectos foi o maior profeta de Israel. Aqui, de fato, estão as minhas dez chaves para compreender Isaías:
1. GANHE UM CONHECIMENTO TOTAL DO PLANO DE SALVAÇÃO E DOS NEGÓCIOS DE DEUS COM SEUS FILHOS TERRENOS.
13 O livro de Isaías não é uma obra completa que esboça e explica as doutrinas de salvação, como por exemplo 2 Néfi e Morôni no Livro de Mórmon. Antes, escreve a pessoas que já sabem - entre outras coisas - que Jesus é o Senhor cujo sangue expiatório concede a salvação, e que fé, arrependimento, batismo, dom do Espírito Santo, e obras de retidão são essenciais para receber uma herança no reino de seu Pai. Para ilustrar, faz-se necessário um conhecimento prévio da pré-existência e da guerra nos céus para reconhecer em Isaías 14 a causa de Lúcifer e sua hostes serem expulsos e enviados para a Terra sem nunca poderem ganhar corpos mortais.
2. APRENDA A POSIÇÃO E O DESTINO DA CASA DE ISRAEL NO ETERNO ESQUEMA DAS COISAS DO SENHOR.
14 O amor e os interesses de Isaías centram-se na raça escolhida. Suas mais detalhadas e extensas profecias retratam o triunfo e glória da semente de Jacó nos últimos dias. É sobretudo o profeta da restauração.
15 Como profetizado por todos os santos profetas desde que o mundo começou, o plano do Senhor pede uma restauração de todas as coisas. Isto é, cada verdade, doutrina, poder, sacerdócio, dom, graça, milagre, ordenança, e obra de poder que tenha sido possuído ou executado em toda a idade da fé voltará outra vez. O Evangelho possuído por Adão residirá nos corações de seus descendentes antes e durante a grande era milenar. Israel - povo escolhido e favorecido do Senhor - uma vez mais possuirá o reino; residirão outra vez em todas as terras de sua herança. Mesmo a Terra retornará a seu estado parasidíaco, e a paz e a perfeição da cidade de Enoque residirá na terra por mil anos.
16 Estas são as coisas de que Isaías escreveu. De todos os antigos profetas, é esse o registro que preservou as palavras da boa nova da restauração, do Evangelho restaurado, do convênio eterno uma vez mais sendo estabelecido, do reino que está sendo restaurado à Israel, do retorno triunfante do Senhor, e de um reino de esplendor milenar.

3. SABER AS PRINCIPAIS DOUTRINAS QUE ISAÍAS ESCOLHEU PARA ESCREVER.
17 Suas contribuições doutrinárias principais caem em sete categorias: (a) restauração do evangelho nos últimos dias através de Joseph Smith, (b) coligação de Israel nos últimos dias e seu triunfo e glória finais, (c) vinda do Livro de Mórmon como uma nova testemunha de Cristo e a revolução que eventualmente traz na compreensão doutrinária dos homens, (d) condição apóstata das nações do mundo nos últimos dias, (e) profecias messiânicas relativas a primeira vinda de nosso Senhor, (f) segunda vinda de Cristo e o reino milenar, e (g) dados históricos e a voz profética relativa ao seus próprios dia.
18 Em tudo isto, vez que outra , a ênfase se centraliza no dia da restauração e sobre a coligação passada, atual, e futura de Israel.
19 É nosso hábito na Igreja - um hábito nascido de um estudo desleixado e de uma perpectiva limitada – imaginar a restauração do evangelho como um evento já passado e a coligação de Israel como uma idéia que embora em processo, em grande parte já realizada. É verdade que nós temos a totalidade do Evangelho eterno no sentido que nós temos aquelas doutrinas, sacerdócios, e chaves as quais nos permitem ganhar toda a recompensa no reino do nosso Pai. É verdade que um remanescente de Israel está coligado; que alguns de Efraim e Manassés (e alguns outros) vieram para Igreja e foram restaurados ao conhecimento de seu Redentor.
20 Mas a restauração das verdades maravilhosas conhecidas por Adão, Enoque, Noé, e Abraão começou com dificuldade. A parcela selada do Livro de Mórmon está ainda para ser traduzida. Todas as coisas não serão reveladas até que o Senhor venha. A grandiosa era da restauração está ainda adiante. E a respeito de Israel, seu destino milenar; o dia glorioso em que “o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo” (Dan. 7:27) está ainda adiante. Nós estamos no início, mas as glórias e as maravilhas transcendentais que serão revelados realizar-se-ão no futuro. Muito de que Isaías – o profeta da restauração - disse ainda deve ser cumprido.
21 Isaías é conhecido em toda parte como o profeta messiânico por causa da abundância, beleza, e perfeição de suas profecias da primeira vinda de nosso Senhor. E verdadeiramente são mesmo. Nenhum profeta do velho mundo, cuja palavras inspiradas deceram dos céus, pode comparar-se as dele. Além disso, a primeira vinda do messias já ocorreu, e mesmo assim aqueles entre nós que não são dotados com uma maior introspecção espiritual podem olhar para trás e ver no nascimento, ministério, e morte de nosso Senhor o cumprimento das previsões de Isaías.
22 Mas se nós devemos compreender verdadeiramente os escritos de Isaías, nós não podemos exagerar ou forçar uma realidade clara, embotando o fato de que ele é o profeta da restauração, o vidente poderoso da semente de Jacó que previu nossos dias e que incentivou nossos pais israelitas no seu estado espiritual cansado e desconsolado, com garantias de glória e triunfo vindouros para seus descendentes que retornariam ao Senhor nos últimos dias e que nesse tempo serviriam-no em verdade e retidão.
4. USE O LIVRO DE MÓRMON.
23 No livro de Isaías, como registrado na Versão do Rei Tiago da Bíblia(KJV), há 66 capítulos compostos de 1.292 versículos. Os escritos de Isaías, em uma forma mais perfeita do que encontrado em nossa Bíblia, foram preservados nas placas de latão, e desta fonte os profetas Nefitas citaram 414 versículos e parafrasearam em pelo menos outros 34 (meia dúzia de versículos são citados mais de uma vez ou parafraseados) ou seja um terço do livro de Isaías (32 por cento, para ser exato) é citado no Livro do Mórmon e uns outros 3 por cento é parafraseado.
24 Os profetas do Livro Mórmon - anote isto com cuidado e deixe o seu significado descer sobre você - os profetas do Livro de Mórmon interpretaram as passagens que usaram, como resultado disso este volume de escritura dos últimos dias se transforma em uma testemunha para revelar as verdades das profecias deste principal livro do Velho Testamento. O Livro de Mórmon é o maior comentário do mundo do livro de Isaías.
25 Eu posso resaltar e afirmar a este respeito que ninguém, absolutamente ninguém, nesta época e dispensação têm ou fazem ou podem compreender os escritos de Isaías até primeiramente aprender e acreditar no que Deus revelou pelas bocas de suas testemunhas Nefitas como estas verdades são encontradas nesse volume de escritura sagrada de que ele mesmo juraram: ”... e assim como vive vosso Senhor e vosso Deus, ele é verdadeiro.” (D&C 17:6.) Porque Paulo diria, “...como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo” (Hebreus 6:13), digo em Seu próprio nome que o Livro de Mórmon, e conseqüentemente os escritos de Isaías gravados nele, são sua própria mente e voz. Os santos de Deus sabem desse modo que as especulações sectarias relativas ao Deutero-Isaías e a outros autores parciais do livro de Isaías são como uma zona de conforto em que os intelectuais dentro e fora da igreja se submetem néciamente.
5. USE AS REVELAÇÕES DOS ÚLTIMOS DIAS.
26 O Senhor por revelação direta em nossos dias examina, interpreta, aprova, esclareçe, e amplía a compreensão sobre os escritos de Isaías.
27 Quando Morôni veio a Joseph Smith em 21 setembro1823, o santo mensageiro “citou o décimo primeiro capítulo de Isaías, dizendo que estava a ponto de ser cumprido.” (JS - História 1:40.) A seção 113 de Doutrina e Convênios contém interpretações reveladas dos versículos dentro capítulos 11 e 52 de Isaías. Seção 101 detém a chave para uma compreensão de capítulo 65 dos escritos do antigo profeta, os capítulos 35, 51. 63, e 64 são abertos claramente a nossa vista por causa de que o Senhor tem a dizer na seção 133. Com referência às notas de rodapé em Doutrina e Convênios, temos ao redor de cem exemplos em que as revelações dos últimos-dias citam especificamente, parafraseiam, ou interpretam a linguagem usada por Isaías afim de nos aproximarmos daquelas impressões do Espírito Santo que foram colocadas dentro de sua alma a uns 2500 anos antes.
28 Há também, numerosas alusões e explanações das palavras do grande vidente nos sermões de Joseph Smith e outros inpirados professores da retidão desta dispensação. Assim frequentemente utilizam-se somente de uma declaração profética, revelando o tempo, lugar ou o sujeito envolvido em uma passagem particular nos escritos de algum profeta, causando a passagem inteira e à todas as relacionadas um brilho com seus significados e importância verdadeiros.
29 Se verdadeiramente usarmos revelação para compreender revelação, é mais natural procurar o que o Senhor Jeová disse, porque ele revelou as verdades antigamente, e revelou as mesmas verdades eternas hoje e assim ligando suas palavras antigas e modernas , podemos ser abençoados pelo conhecimento por ele dito em todas as épocas.
6. APRENDA COMO O NOVO TESTAMENTO INTERPRETA ISAÍAS.
30 Isaías é o profeta dos profetas; suas palavras vivem nos corações daqueles que foram os autores das sagradas escrituras. É citado ao menos 57 vezes no Novo Testamento. Paulo é seu discípulo principal, citando suas palavras umas vinte vezes em suas várias epístolas. Pedro usa-o como a autoridade em sete exemplos. É citado também sete vezes em Mateus, cinco vezes em Marcos, Lucas, e Atos, e quatro vezes em João e no Apocalipse. Algumas destas citações são repetidas, algumas são de natureza messiânica, e todos estabelecem os significados revelados da escrita original.



7. ESTUDE ISAÍAS EM SEU CONTEXTO DO VELHO TESTAMENTO.
31 Outros profetas do Velho Testamento pregaram as mesmas doutrinas e apresentaram as mesmas esperanças para Israel que eram a repetição das próprias expressões de Isaías. Para saber inteiramente o significado de Isaías, é essencial saber o que seus companheiros profetas tiveram para dizer dentro das mesmas circunstâncias e nos mesmos assuntos. Por exemplo, Isaías 2:2-4 é citado dentro Miquéias 4:1-3. Após Isaías fazer esta grande profecia sobre todas as nações que fluirão ao templo construído por Israel coligada nos últimos dias, descreve certos eventos do milênio que se seguirão a esta coligação. Miquéias faz a mesma coisa em princípio, exceto que sua lista de eventos milenares refere-se também a outros assuntos que amplía assim nossa compreensão da matéria. De modo que nós estejamos certos destas coisas, as citações levantadas do Senhor dos capítulos 4 e 5 de Miquéias, seja visto pela referência a 3 Néfi, capítulos 20 e 21.
8. APRENDA A MANEIRA DE PROFETIZAR USADA ENTRE OS JUDEUS NOS DIAS DE ISAÍAS.
32 Uma das razões de muitos nefitas não compreenderem as palavras de Isaías era que não sabiam “...o modo de profetizar dos judeus.” (Ne 2. 25:1.) e assim é com toda a cristandade, e com muitos Santos dos Últimos Dias.
34 Néfi escolheu falar suas palavras proféticas em clareza e em simples declarações. Mas entre seus companheiros profetas hebreus não era sempre apropriado fazer assim. Por causa da iníquidade dos povos, Isaías e outros falaram frequentemente por figuras, usando ilustrações e símbolos para ilustrar o seu pontos. Suas mensagens, foram escondidas nas parábolas. (2Néfi 25:1-8.)
35 Por exemplo, a profecia do nascimento virginal é introduzida no meio de uma recitação de ocorrências históricas locais de modo que o ignorante espiritual poderia interpretar como algum acontecimento antigo e desconhecido que não teve nenhum relacionamento com o nascimento do Senhor Jeová na mortalidade uns 700 anos mais tarde. (Isaías 7.) Similarmente, muitos capítulos que tratam da apostasia dos últimos dias e a segunda vinda de Cristo são escritos relacionados às nações antigas cuja destruição era um símbolo, uma figura, e uma metáfora, daquele que cairia em cima de todas as nações quando o grande e terrível dia do Senhor vier finalmente. Os capítulos 13 e 14 são exemplo disto. Uma vez que nós aprendermos este sistema e usarmos as chaves interpretativas encontrado no Livro do Mórmon e com as revelações dos últimos dias, nós logo encontraremos as passagens de Isaías se abrindoa nossa vista.
9. TENHA O ESPÍRITO DA PROFECIA.
36 Em última análise não há nenhuma maneira, absolutamente nenhuma, para compreender algumas escrituras exceto que se tenha o mesmo espírito de profecia que descansou em cima de quem expressou a verdade em sua forma original. Escrituras vem de Deus pelo poder do Espírito Santo. Não se origina no homem. Significa somente que o Espírito Santo pensa que significa. Para interpretá-la, nós devemos ser iluminados pelo poder do Espírito Santo. (2 Pedro 1:20-21.) é necessário um profeta para compreender um profeta, e cada membro fiel da Igreja deve ter “o testemunho de Jesus” que “é o espírito de profecia.” (Apoca. 19:10.) “as palavras de Isaias” disse Néfi, “... são, não obstante, claras a todos os que estão cheios do espírito de profecia.” (2Néfi 25:4.) isto é a soma e a substância da matéria inteira e um fim a toda a controvérsia concernete a onde descobrir a mente e a vontade do Senhor.
10. DEVOTE-SE AO ESTUDO ÁRDUO E CONSCIENTE.
37 Ler, ponderar e orar - versículo por versículo, pensamento por pensamento, passagem por passagem, capítulo pelo capítulo! Como Isaías mesmo pede: “A quem, pois, se ensinaria o conhecimento? E a quem se daria a entender doutrina? Ao desmamado do leite, e ao arrancado dos seios? Porque é mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali.” (Isaías 28:9-10.)
38 Vamos então visualizar rapidamenteos 66 capítulos que compreendem os escritos deste homem, que de acordo com a tradição foi serrado ao meio por seu testemunho de Jesus, e um esboço que será o bastante para guiar-nos em uma análise mais detalhada.
CHAVES À INTERPRETAÇÃO DE ISAÍAS
Capítulos Eventos
Isa. 1
Apostasia e rebelião dentro Israel antiga; chamada ao arrependimento; promessa de uma restauração e então a destruição do iníquo.
Isa. 2-14
Citado por Néfi dentro 2 Néfi 12-24. Interpretação geral dentro 2 Néfi 11, 2 Néfi 19, 2 Néfi 25, 2 Néfi 26.

Isa. 2
2 Néfi 12. Coligação de Israel no templo em nossos dias; estado de Israel no último dia; circunstâncias do milênio e segunda vinda de Cristo. Miquéias 4 e Miquéias 5; 3 Néfi 20 e 3 Néfi 21.

Isa. 3
2 Néfi 13. A situação da Israel dispersa e a condição apóstata antes de segunda vinda.
Isa. 4
2 Néfi 14. Milênio.

Isa. 5
2 Néfi 15. Apostasia e dispersão de Israel; seu hirrível condição; restauração e coligação.
Isa. 6
2 Néfi 16.Visão e chamado de Isaías. Isa. 6:9-10 É messiânico.

Isa. 7
2 Néfi 17. História local exceto Isa. 7:10-16, que são messianicas. 2 Néfi 11.

Isa. 8
2 Néfi 18. Guerras e história local; conselhos para identificar a religião verdadeira. Isa. 8:13-17 é messiânico.

Isa. 9-10
2 Néfi 19-20. História Local: destruição de Israel iníqua pelos Assírios para tipificando a destruição de todas as nações más na segunda vinda; Isa. 9:1-7 é messiânico.

Isa. 11
2 Néfi 21. Restauração; coligação de Israel; era millenar. JS – História 1:40; D&C 101:26; D&C 113:1-6. Isa. 11:1-5 é messiânico e aplica-se também a segunda vinda. 2 Néfi 30:9-15.

Isa. 12
2 Néfi 22. Milênio.

Isa. 13
2 Néfi 23. Queda de Babilônia tipificando a segunda vinda. D&C 29 e D&C 45.

Isa. 14
2 Néfi 24. Coligação de Israel no Milênio; queda de Lucifer na guerra nos céus; destruição precedendo a segunda vinda.
Isa. 15-17
Profecias e histórias locais; destino daqueles que opõem Israel no dia da restauração. Isa. 16:4-5 é messiânico.

Isa. 18
Restauração; coligação de Israel; saída dos missionários da América.
Isa. 19
Local; salvação para Egito no dia da restauração.
Isa. 20
Local.
Isa. 21-22
Local, mas tipificando a segunda vinda. Isa. 22:21-25 é messiânico.

Isa. 23
Local.
Isa. 24
Apostasia do último dia e segunda vinda. D&C 1.

Isa. 25
Segunda vinda. Isa. 25:8 é também messiânico.

Isa. 26
Segunda vinda; ressurreição; milênio.
Isa. 27
Triunfo de Israel no Milênio.
Isa. 28
Incidentes e desolação na segunda vinda. Isa. 28:16 é messiânico.

Isa. 29
2 Néfi 26:14-20, 27. Nefitas, últimos dias, apostasia, Livro de Mórmon, e restauração. Este relato do livro de Mórmon é uma das melhores ilustrações de uma interpretação inspirada de um capítulo que seja de difícil compreensão.
Isa. 30
Israel, rebelião e mundanismo, para ser conservado no dia da restauração; apostasia, restauração, e bençãos resultantes; segunda vinda.
Isa. 31
O mundo em oposição. A segunda vinda.
Isa. 32
Apostasia de Israel até a restauração. Isa. 32:1-4 é messiânica.

Isa. 33
Apostasia seguida da restauração.
Isa. 34
Segunda vinda e desolações que a acompanham. D&C 1 e D&C 133.

Isa. 35
Restauração; coligação; segunda vinda. D&C 133.

Isa. 36-39
Historia local de inspiração e beleza.
Isa. 40
Segunda vinda. Isa. 40:1-11 é messianico.

Isa. 41
Deus argüi com Israel, antiga e moderna, e fala da era da restauração. Isa. 41:27 é messianico.

Isa. 42
Isa. 42:1-8, 16 É messianico; o capítulo divide-se em elogiar a Deus e mostrar os problemas de Israel.
Isa. 43
Restauração e coligação.
Isa. 44
Restauração e coligação.
Isa. 45
Israel será recolhida e conservada; a salvação está em Cristo. Isa. 45:20-25 é messianico.

Isa. 46
Contra os ídolos. O Deus verdadeiro, antigamente e agora.
Isa. 47
Babilônia, símbolo de nosso mundo moderno.
Isa. 48-49
1 Ne. 20; 1 Ne. 21. Dispersão e coligação de Israel.
1 Néfi 6- 22; 2 Néfi 6.

Isa. 50-51
2 Néfi 6 7; 2 Néfi 6. Dispersão, coligação, restauração, segunda vinda. 2 Néfi 6 9:1-3; 2 Néfi 6. Isa. 50:5-6 é messianico.

Isa. 52
Restauração e coligação. Mosias 12:20-25; Mosias 15:13-18; 3 Néfi 16. 20, 21; Moro. 10:30-31; D&C 113:7-10. Isa. 52:13-15 é messianico.
Isa. 53
Mosias 14. Provavelmente a única e grande profecia messianica do Velho Testamento. Mosias 15-16.

Isa. 54
Restauração e coligação; milênio. 3 Néfi 22; 3 Néfi 23:1-6, 14.

Isa. 63-64
Segunda vinda. D&C 133.

Isa. 65
Israel e as religiões falsas nos últimos dias; milênio. D&C 101:22-38.

Isa. 66
Restauração e segunda vinda.


39 Para nossas finalidades agora, duas coisas necessitam ser adicionadas a nossos apontamentos relativo a Isaías o vidente, Isaías o profeta da restauração, Isaías o profeta messiânico:
1. Compreensão das escrituras e grandes insights relativo às doutrinas de salavação são valiosos somente quando mudam e aperfeiçoam as vidas dos homens, somente o quanto vivem nos corações daqueles que os conhecem; e
2. Que o que Isaías escreveu é verdadeiro; era porta-voz de Deus em seu tempo e estação; as glórias e as maravilhas que prometeu para nosso dia virão certamente a acontecer; e se nós formos verdadeiros e fiéis nós participaremos delas, em vida ou na morte. Este é meu testemunho.


Por Elder Bruce R.(Reed) McConkie (1915 – 1985)Do Conselho dos Doze Apóstolos

© 2005 Intellectual Reserve, Inc. All rights reserved.
Tradução do inglês por Edson Artêmio dos Santos, 22/12/2005.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

“GRANDES SÃO AS PALAVRAS DE ISAÍAS”




HUGH W. NIBLEY

Cheguei ao ponto de não ter mais nada que dizer. Quanto a mim, as escrituras dizem tudo. “E agora eis que vos digo que deveis examinar estas coisas. Sim, ordeno-vos que examineis estas coisas diligentemente, porque grandes são as palavras de Isaías. Porque ele certamente falou sobre todas as coisas relativas a meu povo, que é da casa de Israel; portanto é preciso que ele fale também aos gentios. E todas as coisas que ele disse foram e serão cumpridas de acordo com as palavras que ele disse” (3 Néfi 23:1-3). Apenas esta citação nos poupa a inconveniência de fazer apologia por Isaías. O livro de Isaáis é um tratado para os nossos dias; a nossa própria aversão a ele é testemunho de seu grande valor. É necessário nos lembrar de sua importância, porém, pois a mensagem de Isaías não é popular, e ele nos diz por que. Os iníquos não gostam de ouvir a acusação de suas culpas. Toda sociedade, por corrupta que seja, tem algumas coisas de bom—senão não conseguiria sobreviver de um ano para outro. Convenhamos, não é mas agradável falar do bem do que do mal? O povo de Zaraenla, conforme disse Samuel, o lamanita, queria que os profetas falassem do que havia de bom em Zaraenla, e não do que havia de errado. Aqui há um grande perigo: o que há de certo numa sociedade mal pode prejudicá-la, mas somente uma falha séria pode destruí-la. Não se vai ao médico para saber o que está funcionando bem, e sim a causa da doença e as ameaças à saúde.
Porém, Isaías diz que o povo de Israel quer ouvir coisas bonitas: “Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis” (Isaías 30:10). Desde então o processo de interpretar Isaías tem sido o de fazê-lo aprazível. Considerem alguns exemplos conspícuos disso dos doutores e eruditos:
1. A noçaõ de que Isaías só moraliza em vez de ensinar a doutrina. Porém, ele começa por chamar Israel os filhos de Deus (Isaías 1:2); ele insiste nisso ao longo do livro—Deus é seu Pai. É a primeira Regra de Fé. Mas os israelitas não querem enxergar (Isaías 1:3); não querem saber de doutrina (Isaías 1:4). Não enxergam nada que não queiram ver, diz Isaías. São funcionalmente cegos. Já de propósito cortaram as linhas de comumicação, mas se queixam de não receber nenhuma mensagem. O livro de Isaías está repleto de coisas óbvias, especialmente para os Santos dos Últimos Dias, que os outros não vêem. Os rabinos fazem escárnio da sugestão que Isaías realmente se refere a Cristo. Mas nós vamos muito além disso. Vemos nele o Livro de Mórmon e o chamado específico de Joseph Smith. E quem dirá que não temos razão?
2. A idéia de que o Deus de Isaías é o Deus de ira, selvagem e vingativo, do Velho Testamento, o Deus tribal. Se é verdade, não precisamos levá-lo a sério. Estamos dispensados. Mas na realidade o Deus de Isaías é a própria bondade. “Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve” (Isaías 1:18). Nisto não há nada de autoritário; Ele está sempre disposto a palestrar e esclarecer. Suas declarações mais ameaçadoras são logo seguidas de mostras de que Ele está sempre disposto e preparado, esperando, incentivando e implorando com paciência. É Israel que não quer ouvir; eles é que cortam o diálogo e saem, virando as costas diante d’Ele, pedindo-Lhe que se cale.
3. A noção de Isaías se dirige somente a grupos especiais. Na verdade ele fala a pessoas boas e más—mas são as mesmas! Ai de Israel! Boas novas a Israel! É o mesmo Israel. E não fala somente a Israel, mas a toda a humanidade; ele se dirige `as nações e a seus líderes, mas não fala somente à sua geração mas a todas. Néfi aplicou as palavras de Isaías a seu próprio povo no deserto “para nosso proveito e instrução” (1 Néfi 19:23). Seissentos anos depois, Jesus Cristo adverteu aos nefitas que fizessem igual, e o anjo Morôni entregou a mesmíssima mensagem à nossa geração. Isaías só tem uma audiência porque que só tem uma mensagem. Ele se dirige a quaisquer mortais na face da terra que precisem do arrependimento. Isto nos leva ao próximo ponto.
4. A idéia de que há mais de um Isaías e que todos eles nos dizem coisas diferentes. Já que há somente uma mensagem e uma audiência, este argumento se torna trivial. A mensagem é a de alegria: “Arrependei-vos, e tudo será bem—melhor do que se pode imaginar!” A mensagem somente é cruel para aqueles que não pretendem arrepender-se. Isaías não faz distinção entre os bons e os maus, somente entre aqueles que se arrependem e aqueles que não. Ele não pergunta onde estamos—ele já sabe—só pergunta em que direção vamos. Naturalmente apenas aqueles que precisam arrepender-se podem-se arrepender, mas isso se aplica a todos, de igual modo. Será que uma pessoa precisa mais do arrependimento do que outra? Esdras e Baruque protestaram a Deus que, embora Israel tivesse pecado, os gentios agiram pior ainda. Por que, perguntaram eles, os gentios levaram uma pena mais suave? Mas Deus não aceitou o argumento deles. Sempre se pode achar alguém mais pecador que nós para sentirmo-nos mais virtuosos: aqueles terroristas, os perversos, os comunistas. São estes que precisam-se arrepender! Sim, com certeza precisam, e será um trabalho de tempo integral, exatamente como o é para todos nós.
5. Os doutores de religião, tanto judeus como cristãos, gostam de elaborar a noção de que para Isaías o pecado supremo e imperdoável era a adoração de ídolos. Pois bem, o profeta diz que a idolatria é tola e contrária à razão, mas nunca diz que é o pecado imperdoável. A grande ilusão destes eruditos é que como pensadores modernos, iluminados e racionais fizeram uma descoberta maravilhosa: que bonecos de metal e madeira, bem como imagens de escultura realmente não podem ver, ouvir, etc. Labutam com afinco para salientar este ponto. No entanto os antigos eram tão cientes deste fato que nós. Era justamente por causa dos ídolos não poderem agir que os adoravam. Há uma história célebre do Paisano Eloqüente do Reino Médio do Egito que conta que o mordomo malicioso de uma grande propriedade, ao ver um camponês passar carregando mercadorias para o mercado, clamou: “Quisera que eu tivesse algum ídolo que me permitisse roubar as mercadorias daquele homem.” Uma imagem muda não se oporia a qualquer ação por parte dele. Eis a beleza dos ídolos: São tão impessoais e amorais como o dinheiro no banco, que, aliás, é o que equivale a um ídolo eficaz, tanto nos dias de hoje como nos tempos antigos.
6. Isto se junta à idéia de que a maior virtude moral e intelectual era reconhecer que há um único Deus. Mais uma vez se trata de uma noção comum entre os antigos. Isaías não denuncia o politeísmo como o pior dos pecados. Na verdade, há vários pesquisadores que já mostraram que o politeísmo em si não é condenado em lugar algum na Bíblia. Certamente Isaías dá grande ênfase à unicidade. Não há meio termo. Há somente um caminho para o homem seguir, um Deus para Israel, e uma raça humana para servir. Para diluir este ensinamento desconfortável, os doutores o transformaram em exercício escolar.
7. A idéia de que Isaías denuncia sobretudo as práticas pagãs. Mas eram os ritos e ordenanças que Deus havia dado a Moisés e que o povo praticava religiosamente que Isaías descreve como sendo exercício de futilidade desesperada.


ISAÍAS CAPÍTULO 1
A forma mais rápida de adquirir uma visão geral do imenso livro de Isaías é simplesmente ler o primeiro capítulo. Os eruditos acreditam há muito tempo que este capítulo não faz parte do livro original, mas que é um resumo feito por um discípulo. Mesmo que seja assim, é muito valioso, ademais, é notável que este, o capítulo mais famoso de Isaías, não é citado no Livro de Mórmon. Vamos examiná-lo versículo por versículo.
1:2. O povo de Israel são os filhos de Deus—Ele é seu Pai. Esta é a doutrina de que se esqueceram, mas não terão condições de recebê-la de novo até passarem por uma regeneração moral, a qual é a carga da pregação de Isaías.
1:3. Rejeitaram aquela doutrina. Recusam-se a ouvi-la.
1:4. Já que não conseguem suportar a doutrina no seu estado de iniqüidade, fogem dela. Isto é imperdoável; Deus não encara isso com tolerância. Ele sabe que são bem capazes de entender e viver o evangelho, de forma que Ele se tornou mais do que descontente; Ele se irou.
1:5. Porém não é ele quem tem-lhes dificultado as coisas. Eles mesmos se decidiram a seguir se próprio caminho, fazendo abertamente rebelião contra Ele. E o sistema deles simplesmente não funciona. Não conseguem arcar mentalmente com a situação, nem têm espírito suficiente para vencer. O homem sem Deus é um pobre coitado.
1:6. Tudo está nojento, nojento, nojento. Todas as tentativas de se indireitarem fracassam. Nada funciona.
1:7. Isto resulta em depressão nacional e disastre internacional.
1:8. O povo escolhido de Deus está cercado, confiando no seu exército fracassado, presos dentro do muros de sua própria cidade.
1:9. A única razão pela qual sobreviveram até aí é porque ainda havia entre eles alguns justos, um remanescente de pessoas honestas.
1:10. É hora de considerar a alternativa que aqui Isaías lhes oferece.
1:11. Vós, com piedade fingida, não podereis contentar a Deus pela vã observância de ritos religiosos, ou seja, reuniões e sessões no templo.
1:12. Não é para vós decidirdes o que fazer para agradar a Deus—resta para Ele decidir, e Ele não vos exigiu toda esta mostra falsa de piedade.
1:13. Suas observâncias mais dedicadas, até as que seguem as ordens antigas de Deus, na verdade são iniqüidade quando feitas de espírito contrário ao amor a Deus.
1:14. Deus não está impressionado, e sim, revoltado por causa disso.
1:15. Mesmo quando orais, Deus não vos ouvirá. Por que não? Resposta: Porque há sangue nas vossas mãos erguidas.
1:16. O sangue e os pecados desta geração estão sobre vós no templo. Que sangue e pecados? Vossa iniqüidade.
1:17. Que iniqüidade? O que deveremos fazer? Resposta: Tratar as pessoas com justiça, aliviar aqueles que estão oprimidos pela dívida em vez de exigir-lhes pagamento, fazer justiça ao órfão e ajudar as viúvas; em outras palavras, mostrar respeito àqueles que não têm dinheiro.
1:18. Deus não é nem impulsivo nem arbitrário. É grandemente imparcial. Será o caminho dEle o único caminho? Permitem-O a dizer-lhes o por quê, e vejam se concordam: “Vinde, então, e argüi-me, diz o Senhor.” Aí segue uma declaração surpreendente: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve.” É óbvio que Deus não se compraz nas admoestações; Ele não exulta da punição reservada para os iníquos assim como os homens às vezes exultam (Tomás de Aquino, por exemplo). Ele ama a todos e oferece-lhes promessas maravilhosas. Há uma saída, e é por isso que Isaías prega--não por ser repreendedor puritano.
1:19. Os judeus já ouviram o suficiente? Basta ouvir e seguir os conselhos, e tudo estará bem.
1:20. Mas não podereis proceder como dantes. Se continuardes do mesmo jeito, sereis arrasados pela guerra. “Pois a boca do Senhor o disse.” A “destruição decretada” de Doutrina e Convênios 87:6 é outra citação de Isaías.
1:21. Vós podeis vencer, porque de outrora já o fizestes. Mas daí perdestes tudo—cedendo a assassínios e concupicência desenfreados.
1:22. E para quê? Pertences e prazeres, prata que agora não tem valor e vinho estragado.
1:23. Os líderes é que dão o pior exemplo. Lidam com ladrões; todo o mundo recebe suborno: “Cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas.,” enquanto os pobres não recebem justiça e a causa da viúva não chega perante eles.
1:24. Deus não quer saber de tais patifes. Vai eliminá-los, pois se tornaram inimigos d’Ele.
1:25. Tudo isso exige uma limpeza geral. Todas as escórias serão purgadas.
1:26. Restaurar-se-á a antiga ordem para “restituir os teus juízes como foram dantes.” Ainda será possível, e Deus o fará acontecer. Ainda haverá “a cidade de retidão, a cidade fiel.”
1:27. Sião, com muitos conversos de fora, será redimida, ainda que algumas das mesmas pessoas iníquas continuem a viver lá.
1:28. O restante terá que sair, não porque Deus resolveu expulsá-lo, e sim porque eles próprios caminharão do lugar seguro para a destruição, e com olhos abertos rejeitarão o Senhor e serão consumidos.
1:29-31. Estes versículos são as únicas referências ao paganismo—seitas populares que se secarão e se queimarão. Elas não serão destruídas, porém, por seguir os ritos do paganismo, como os doutores, ministros e comentaristas gostam de dizer-nos, mas porque elas se ultilizam disso para encobrir suas práticas imorais, cruéis e gananciosas.
OS VÍCIOS MAIS MALIGNOS
Para o restante deste ensaio tratarei das qualidades humanas que, conforme a descrição de Isaías, agradam ao Senhor e as qualidades que Ele odeia. Tanto essas como as outras são surpreendentes. Quanto às caraterísticas de comportamento que Isaías denuncia como os vícios mais malignos, são sem exceção os vícios de pessoas bem-sucedidas. A iniqüidade e tolice de Israel não consistem em preguiça, nem em não se vestir bem, usar cabelo comprido, ser não-conformista, promover idéias e programas liberais, radicais e não realistas, nem na irreverência às tradições, desdém para os ídolos estabelecidos, e assim por diante. O povo mais iníquo do Livro de Mórmon são os Zoramitas, um povo próspero, patriótico, empreendedor, trabalhador, corajoso, independente e orgulhoso que muito bem-vestidos observavam rigorosamente as práticas religiosas todas as semanas. Dando graças a Deus por tudo que lhes havia dado, prestavam testemunho de Sua bondade. Sustentavam-se em todos os seus atos por uma auto-imagem lindíssima. Pois bem, o que há de errado com tudo isso? Há um fato que estraga tudo, e é a mesmíssima coisa que deixa Israel de mal com o Senhor, de acordo com Isaías. Os judeus observavam estritamente as regras que Moisés lhes deu—“E eis . . . que clamam a Ti,” mas na verdade estão pensando em outra coisa. “Eis, ó meu Deus, seus suntuosos ornamentos . . . todas as coisas preciosas . . . seu coração está preso a estas coisas e, no entanto, clamam a ti, dizendo: Agradecemos-Te, ó Deus, por sermos um povo escolhido por ti, enquanto outros perecerão” (Alma 31:27-28).
Deus resome a causa de Sua ira contra Israel nestas palavras: “Pela iniqüidade de sua avareza me indignei, e o feri; escondi-me, e indignei-me.” E com que efeito? Isso não efetou o rebelde, pois “seguiu o caminho do seu coração” (Isaías 57:17). Como os Zoramitas, o Israel cobiçoso estava contente consigo mesmo, assim como nestes últimos dias. Israel moderno (nós) recebeu “uma maldição severa e dolorosa” por causa de “cobiça e palavras falsas;” isto é, ganância e hipocrisia (Doutrina e Convênios 104:4). Sem dúvida a maior acusação que Isaías faz contra os iníquos é a de “opressão,” ‘ashaq em hebraico. Esta palavra significa estrangular, pegar o pescoço e apertar; levar a vantagem máxima de quem está no seu poder, ou seja, tirar o lucro máximo. Tudo isso se centraliza em “Babilônia, . . . a cidade dourada,”—“o opressor” (Isaías 14:4), que nos proporciona uma vista instantânea da estrutura socio-econômica do mundo de Isaías. É uma sociedade competitiva e predadora, “E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem (Não sabem o que passa porque só se preocupam consigo mesmo.); todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte” (Isaías 56:11).
A acusação aplica aos nossos dias quando “todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus, cuja imagem é a semelhança do mundo e cuja substância é a de um ídolo que envelhce e perecerá em Babilônia, sim, Babilônia a grande, que cairá” (Doutrina e Convênios 1:16). Babilônia havia florecido muito antes da época de Isaías, e iria florecer muito depois. Nos tempos dele, ela estava em ascenção, mas a palavra se emprega ao longo das escrituras como protótipo, ou modelo, de um mundo que se sustenta pela economia. Não há onde sua filosofia melhor se defina do que nas palavras de Corior: “Cada homem prosperava segundo sua aptidão e cada homem conquistava segundo sua força; e nada que o homem fizesse seria crime” (Alma 30:17).
Em Isaías, as pessoas bem-sucedidas vivem um carnaval. É como se dissessem: “Vinde, . . . trarei vinho, e beberemos bebida forte” (Isaías 56:12). Haverá drinques e festa na minha casa. E amanhã ainda mais, até melhor, e muito mais abundante. A economia parece forte; está tudo bem.
Isaías tem muito que dizer sobre o elite da alta sociedade em palavras que igualmente nos inquietam hoje em dia:
28:1. “Ai da coroa de soberba dos bêbados de Efraim, cujo glorioso ornamento é como a flor que cai, que está sobre a cabeça do fértil vale dos vencidos de vinho.”
28:2. “Eis que o Senhor tem um forte e poderoso (vento) que . . . com a mão derrubará por terra.”
28:3. “A coroa de superba dos bêbados de Efraim será pisada aos pés.”
28:7. Mas também estes erram por causa do vinho . . . e tropeçam no juízo.”
Ele descreve as pessoas mundanas: “Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedice; e continuam até à noite, até que o vinho os esquente!” (Isaías 5:11). Espupefazem-se pelo ritmo da música que também se tornou parte da nossa vivência: “E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do Senhor, nem consideram as obras de suas mãos” (Isaías 5:12). E, naturalmente, existe o servilismo à última moda: “Porquanto as filhas de Sião se exaltam, e andam com o pescoço erquido, lançando olhares impudentes; e quando andam, caminham afetadamente, fazendo um tilintar com os seus pés” (Isaías 3:16)—do jeito dos modelos de passarela. Uma lista de palavras de butique que só os entendidos de moda feminina conhecem diz-nos que “o Senhor tirará os ornamentos dos pés . . . as toucas, e adornos em forma de lua, os pendentes, e os braceletes, as estolas, os gorros, e os ornamentos das pernas, e os cintos, e as caixinhas de perfume, e os brincos, os anéis, e as jóias do nariz” (Isaías 3:18-21), e naturalmente roupas, “os vestidos de festa, e os mantos, e os xales, e as bolsas” (Isaías 3:22). O propósito de seus acessórios de beleza será derrotado quando cairem os cabelos e houver mau cheiro em vez de perfume (Isaías 3:24).
Naturalmente há o lado mais sombrio e repreensível do comportamento sexual: “Ouvi a palavra do Senhor, vós poderosos de Sodoma, . . . ó povo de Gomorra . . . como se fez prostituta a cidade fiel!” (Isaías 1:10, 21). Da mesma maneira que Néfi “aplicou todas as escrituras a nós, para o nosso proveito e instrução” (1 Néfi 19:23), já de cara Isaías não somente compara Jerusalém às cidades já desaparecidas há muito tempo de Sodoma e Gomorra, mas também declara que na verdade é Sodoma e Gomorra—mostrando-nos que tampouco podemos evitar esta acusação por sermos de outra época e cultura. Afinal, será que o cenário de hoje é tão diferente do de outrora?
O guarda-roupa caro reflete um mundo em que as pessoas lutam para impressionar e impor-se nos outros. Todos buscam uma carreira, todos querem tornar-se VIP: “O poderoso, e o homem de guerra, o juiz, e o profeta, e o adivinho, e o ancião, o capitão . . . e o homem respeitável, e o conselheiro, e o sábio entre os artífices, e o eloqüente orador” (Isaías 3:2-3). Que tal eles? “E dar-lhes-ei meninos por príncipes, e crianças governarão sobre eles” (Isaías 3:4). Tchau-tchau autoridade—e por quê? Porque cada um só se importa consigo mesmo neste jogo de procurar domínio sobre os outros: “E o povo será oprimido; um será contra o outro, e cada um contra o seu próximo (concorrência!); o menino se atreverá contra o ancião (o que mais se pode esperar?), e o vil contra o nobre” (Isaías 3:5). Perder-se-á por completo o controle. Um homem agarrará seu irmão, dizendo: “Tu tens roupa, sê nosso governador, e toma sob a tua mão esta ruína!” mas este recusará a grande honra, dizendo: “Não procurem fazer-me seu governador—estou sem um tostão furado!” (veja Isaías 3:6-7). Já que todos estarão sem dinheiro, Isaías continua: “Porque Jerusalém está arruinada” (Isaías 3:8)—porque com teimosia acham que conseguem ser bem-sucedidos sem Deus: “Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem com uma cobertura mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado” por justificar-se a cada passo (Isaías 30:1). Os rebeldes, os mentirosos não ouvirão a lei do Senhor. Rejeitaram a lei de Deus; rejeitam a lei do sacrifício. Ah sim, eles fazem sacrifício, mas não do jeito que o Senhor ordenou: “Requeri isto de vossas mãos?” (veja Isaías 1:12). Violaram a lei da castidade, pois Israel é uma prostituta. Violaram a lei da consagração, porque são idólatras—cobiçar as coisas para si é a forma de consagração deles. Rejeitaram a lei de Deus porque não fariam as coisas conforme o convênio, e sim segundo a própria vontade deles (veja Isaías 30).
Quem serve de exemplo para os mundanos é aquele espírito mais ambicioso de todos. “Como caíste desde o céu, ó estrela da manã (Lúcifer), filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu . . . exaltarei o meu trono . . . e no monte da congregação me assentarei” (Isaías 14:12-13). Ele procura governar o mundo, o que de fato faz, com efeitos desastrosos; o resultado: opressão e ruína: “Eis que o Senhor esvazia a terra, e a desola, e transforma a sua superfície, e dispersa os seus moradores. E o que sucede ao povo, assim sucederá ao sacerdote; ao servo, como ao senhor; à serva como a sua senhora; ao comprador como ao vendedor; ao que empresta como ao que toma emprestado; ao que dá usura como ao que paga usura. De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada, porque o Senhor pronunicou esta palavra” (Isaías 24:1-3).
Isaías sabe descrever um mundo que está em crise total. Há uma literatura antiga e rica de lamentação, tanto dos egípcios como de Babilônia, que aparece ao longo de milhares de anos, junto a documentos comerciais, cartas e textos religiosos, que confirmam que tais condições realmente prevaleciam no mundo de tempos em tempos exatamente da forma que Isaías as conta, sempre com a mesma histéria social, econômica e financeira. Observem a forte ênfase à economia e finanças na passagem já citada. “Sempre vos lembrais de vossas riquezas,” diz Samuel o Lamanita, e por isso mesmo as perdereis (veja Helamã 13:22, 31). De acordo com ele, são amaldiçoadas e se tornarão “escorregadias,” e Isaías profere uma declaração semelhante: “De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada . . . A terra pranteia e se murcha . . . porque eles (o povo) têm transgregido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna” para agradarem-se a si mesmos (Isaías 24:3-5). “Por isso a maldição tem consumido a terra” (Isaías 24:6); poucos homens restam, tudo está assolado; não há colheita, não chove; portanto muitos são conduzidos ao cativeiro porque não têm conhecimento, e os justos entre eles são famintos; a multidão sofre de sede. “Porque este povo não é povo de entendimento, assim aquele que o fez não se compadecerá dele, e aquele que o formou não lhe mostrará nenhum favor” (Isaías 27:11).
MALES DA SOCIEDADE
É claro que os homens são responsáveis perante Deus por mostrar bom senso. A auto-decepção custa caro; o Senhor “desfaz os sinais dos inventores de mentiras, e enlouquece os adivinhos; . . . faz tornar atrás os sábios, e converte em loucura o conhecimento deles” (Isaías 44:25). Eles têm odeado Sua palavra e confiam em opressão e perversidade e persistem nelas. São muito cabeça-dura. Persistem até o fim como a brecha de um “alto muro.” Eles permanecerão no seu caminho com grande afinco. Nada os move. Como uma represa alta quando rompe, rompe de vez. (Eis o princípio do “vigésimo-nono dia.”) Primeiro o muro forma uma barriga, e aí cai tudo, “cuja quebra virá subitamente” (Isaías 30:12-13).
Tudo isso acontece porque está tudo fora dos eixos. Ninguém confia em ninguém nesta sociedade competitiva. “Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade” (Isaías 59:4). “Obra de violência há nas suas mãos. Derramam o sangue inocente. Seus pensamentos são os pensamentos da iniqüidade” (veja Isaías 59:6-7). Tudo isso parece programação de televisão. Tal caminho só leva à desconfiança: “Não conhecem o caminho da paz, . . . fizeram para si veredas tortuosas” (Isaías 59:8); “o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade. . . . Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado” (Isaías 59:13, 15). Só lhes será proveitoso quebrar as regras enquanto houver pessoas simples e fáceis de enganar que cumprem com elas. E se não participarem deste jogo, se tornarão vítimas. Isaías não aplaude tal realismo: “Ai de ti, despojador, que não foste despojado, e que procedes perfidamente contra os que não procederam perfidamente contra ti!” (Isaías 33:1). O Senhor nos adianta ainda mais na nossa dispensação, dizendo-nos que não temos direito de trapacear mesmo àqueles que são espertinhos e procuram-nos enganar: “Ai daquele que mente para enganar, porque supõe que outro minta para enganar, pois esse não está isento da justiça de Deus” (Doutrina e Convênios 10:28).
Naturalmente Isaías nos leva aos tribunais de justiça: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal” (Isaías 5:20)—sendo isto a arte da retórica, a arte, conforme Platão, “de fazer o bem parecer mal e o mal parecer bem pelo emprego de palavras,” que no mundo antigo se desenvolveu nos tribunais. “Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos! . . . dos que justificam ao ímpio por suborno, e aos justos negam a justiça!” (Isaías 3: 21, 23). Isso nos lembra de como os ladrões de Gadiânton, quando de posse do governo e os tribunais, quando “obtiveram total controle do governo,” logo “desprezaram os pobres e mansos e os humildes seguidores de Deus” (Helamã 6:39), “ocupando as cadeiras dos juízes” (Helammã 7:4), “deixando os culpados e iníquos impunes, por causa de seu dinheiro” (Helamã 7:5). Eles “justificam ao ímpio por suborno,” diz Isaías (5:23), e ele os adverte no próprio linguajar jurídico que Deus acusará os élderes de Israel e “contra os seus príncipes; é que fostes vós que consumistes esta vinha; o espólio do pobre está em vossas casas!” (Isaías 3:14). O que está em sua casa realmente pertence a estes. “Que tendes vós, que esmagais o meu povo e moeis as faces dos pobres?” (Isaías 3:15. “Ai dos que decretam leis injustas (por sua autoridade intocável), e dos escrivães que prescrevem opressão” (Isaáis 10:1)—servindo seus próprios interesses pelas leis que fazem, “para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!” (Isaías 10:2).
Tudo está armado; todo o mundo recebe suborno; a cidade meretriz está cheia de assassinos; os príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; “cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva” (Isaías 1:23). Mesmo quando claramente tem razão, o pobre não consegue ganhar a causa, porque “o avarento . . . maquina invenções malignas com palavras falsas, mesmo quando o pobre chega a falar retamente” (Isaías 32:7). “ Porque o vil . . . pratica a iniqüidade para usar hipocrisia e . . . proferir mentiras . . . para deixar vazia a alma do faminto, e fazer com que o sedento venha a ter falta de bebida” (Isaías 32:6). O comércio de imóveis é um setor muito explorado por tais pessoas, e os registros antigos, desde os pregadores gregos iniciais, Hesoides e Solon, até os últimos satiristas romanos, inclusive Petrônio, estão repletos de trapaças e golpes pelos quais adquiriram vastas propriedades. “Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra!” (Isaías 5:8).]
Isaías tem muito que dizer sobre o comércio, “Peso de Tiro,” a cidade diadema, “cujos mercadores são príncipes e cujos negociantes são os mais nobres da terra.” O Senhor pretende “denegrir a soberba de toda a glória, e envilecer os mais nobres da terra” (Isaías 23:1, 8-9). São pessoas inquietas esses empresários: “Paz, paz, para o que está longe, e para o que está perto . . . mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo” (lembrem-se das águas sujas mencionadas por Leí) (Isaías 57:19-20). “Mas os ímpios não têm paz, diz o Senhor” (Isaías 48:22; 57:21). Babilônia é, ao mesmo tempo, agitada e ocupada, egoista e despreocupada; “Ninguém me pode ver,” diz ela, “eu sou, e fora de mim, não há outra” (Isaías 47:10). Ela tem à sua disposição todo o know-how técnico e comercial. Todos os peritos trabalham para ela—encantadores, astrólogos, analistas inteligentes, contadores hábis—mas serão queimados como restolho. No capítulo 13 de Isaáis, vemos o peso de Babilônia, a ampla atividade, os ruídos, o corre-corre, a arrogância, a grande fome para lucros neste centro mundial que é outra Sodoma, um abismo de degeneração moral.
A VANGLÓRIA DAS NAÇÕES
Por um grande milagre poupou-se a vida do rei Ezequias de Judá e este recebeu mais quinze anos de vida. Numa grande expressão de alegria e gratidão, ele expressou sua gratidão e o alívio infinito de saber que Deus podia dar tudo que se pede a Ele, até a própria vida; de que vale toda a segurança das riquezas do mundo em comparação com isso? Aí aconteceu uma coisa significante. Chegaram os embaixadores de Babilônia, e Ezequias não pôde resistir à tentação de mostrar-lhes toda a tesouraria que representava seu poder e riquezas. “Então o profeta Isaías veio ao rei Ezequias, e lhe disse: Que foi que aqueles homens disseram, e de onde vieram a ti? E disse Ezequias . . . vieram a mim de Babilônia. E disse ele: Que foi que viram em tua casa? E disse Ezequias: Viram tudo quanto há em minha casa; coisa nenhuma há nos meus tesouros que eu deixasse de lhes mostrar. Então disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor dos Exércitos: Eis que virão dias em que tudo que houver em tua casa, e o que entesouraram teus pais até ao dia de hoje, será levado para Babilônia; não ficará coisa alguma” (Isaías 39:3-6). O homem não resistiu a exibir seus posses, e sua vaidade somente serviu para despertar a ganância. Gostaram do que viram e voltaram para buscá-lo. Ele havia caído na armadilha.
Isaías entende muito bem do cenário internacional em que o erro fatal é pensar que o destino está nas mãos dos grandes homens da terra, mas a verdade é que não há grandes homens, somente cidadãos comuns que têm ilusões desatrosas de grandeza. Arrogante é uma das palavras prediletas de Isaías.
“E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos” (Isaías 13:11).
“Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir” (Isaías 13:12).
“Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada; e só o Senhor será exaltado naquele dia” (Isaías 2:11).
“Mas eis que o Senhor, o Senhor dos Exércitos, cortará os ramos com violência, e os de alta estatura serão cortados, e os altivos serão abatidos” (Isaías 10:33).
“A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enfraquecem os mais altos do povo da terra. Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna. Por isso a maldição tem consumido a terra; e os que habitam nela são desolados; por isso são queimados os moradores da terra, e poucos homens restam” (Isaías 24:4-6).
O que torna grande uma nação? Poder e riquezas é a resposta que se dá hoje em dia; o objetivo é ser primeiro em força militar e poder econômico. Também se pensava assim nos tempos de Isaías: Ai daqueles que dependem de cavalos e carruagens porque são poderosos, mas que “não atentam para o Santo de Israel; . . . os egípcios são homens e não Deus; e os seus cavalos carne, e não espírito” (Isaías 31:1-3). Não se garante segurança alguma através de alianças, nenhuma espada, tantos dos fortes como dos fracos, terá poder de vencer a Assíria; o Senhor tem seus próprios planos para a Assíria, e ninguém poderia ter imaginado o que seriam. Em que consiste a segurança? Ao construir a fortaleza de Jerusalém, cavaram suas próprias covas. A única defesa verdadeira é o chamado do sacerdócio no templo. Quem entra no jogo de poderes políticos, receberá o galardão de sempre.
Os assírios garantiram a segurança. Era a nação de maior poder militar. “Fazei aliança conosco,” disseram a Jerusalém (e Isaías preservou as cartas), “e estareis seguros. Sois tolos. Como é que Deus vos salvará, se não tiverdes exército? Precisais de nós. Deus está do lado de quem tem as grandes batalhões.” Isto é o que se chama Realpolitik, o que sempre tem destruído seus seguidores em tempos modernos. Quando Isaías diz ao povo que confie em Deus e não no Egito, dizem que ele não é realista! Aí vêm os assírios, os super-realistas, com o seu poder invencível—e foram todos mortos ao dormir no acampamento. E as grandes nações? “Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças” (Isaías 40:15). Todas as nações perante ele não são nada, são consideradas como menos de nada e vaidade porque fazem de conta que são grandes (veja Isaías 10:33). “Porque Tofete já há muito tempo está preparada;” e espera-os agora—(“preparei-lhes uma prisão,” disse o Senhor a Enoque [Moisés 7:38]). “Sim, está preparada para o rei”—para a Assíria. “Ele a fez profunda e larga: a sua pira é de fogo, e tem muita lenha; o assopro do Senhor como torrente de enxofre a acenderá” (Isaías 30:33). Não se impressionem com “o poderoso, e o homem de guerra, o juiz, e o profeta, e o adivinho, e o ancião” (Isaías 3:2). Somente existe um ser em que se pode confiar. A Assíria desapareceu de um dia para outro, e nunca mais se ouviu falar dela, ao passo que permanecem conosco até hoje umas nações menores, contemporâneas da Assíria, que não tinham condições de apostar na supremacia militar.
“MÃOS LIMPAS; CORAÇÃO PURO”
Tão surpreendentes como as caraterísticas que Isaías detesta, são aquelas às quais ele dá valor—não à motivação, iniciativa, indústria, empreendimentos, trabalho duro, e piedade—nenhuma das virtudes zoramitas, embora estas sejam virtudes de verdade quando não são corrompidas por motivos egoístas ou uma obsessão mórbida com a rotina. Permitem-me a observar de passagem que o trabalho, afinal, não é um corre-corre ocupadíssimo e rotineiro, embora esta seja a essência da vida moderna de comércio e estudo, mas consiste na energia suprema e curiosidade disciplinada de abrir novos caminhos. No livro de Isaías as qualidades que Deus exige aos homens são as de que a sociedade trata com ares de superioridade e desdém. Isaías promete as maiores bênçãos e glória aos mansos, humildes, pobres, oprimidos, afligidos e necessitados. Como!? Ser pobre e oprimido é sucesso? Será que ele nos admoesta a unir-nos aos fracassados? Que valor poderá haver em tais condições negativas e submissivas? De fato, há virtude nisso, mas a presença de Satanás no mundo é um fator decisivo. Temos a promessa que não haverá pobres em Sião. É justamente porque Satanás lá não estará presente com suas artimanhas. Mas ele é o príncipe do mundo atual, livremente permitido, por um tempo, a provar e tentar os homens. Aqui ele manda.
E como é que o diabo nos tenta? Na mitologia universal da raça humana, o diabo é o senhor do submundo que controla os tesouros da terra no seu reino maligno; é Plutão, o deus da riqueza, que, por seu controle dos recursos do mundo, dita os negócios dos homens. A última peça de Aristófanes, o Plutão, é um comentário grande e amargo a respeito do tipo de pessoas que se tornam bem-sucedidos neste mundo. Com certeza um dos temas mais prevalecentes da literatura desde a história egípcia dos dois irmãos, Lazarone e Dives, até as vicissitudes da família Joad de Grapes of Wrath (de Steinbeck). Se acreditamos Isaías, o próprio Filho do Homem era “desprezado e rejeitado” (Isaías 53:3), do qual conclui-se que ser altamente bem-sucedido nesta vida não comprova a virtude definitiva. Porque a pergunta de ouro de Satanás, “Tens por acaso algum dinheiro?” faz um efeito paralizador e misterioso que consegue alistar todos, menos os espíritos mais nobres, na grande conspiração. Diz Isaías: “Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a eqüidade não pode entrar. Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia no mal arrisca-se a ser despojado” (Isaías 59:14-15). Em outras palavras, quem se recusar a aceitar estas coisas, levará uma surra. Continua Isaías: “O Senhor o viu, e pareceu-lhe mal aos seus olhos que não houvesse justiça” (Isaías 59:15). Todos se aproveitam uns dos outros, e isto não agrada a Deus de jeito nenhum. “Eis que o mundo agora jaz em pecado, ninguém faz o bem, não ninguém, . . . e a minha ira está acesa contra os habitantes da terra para visitar sobre eles conforme a sua impiedade.” São as primeiras palavras do Senhor nesta dispensação, proferidas a Joseph Smith no bosque sagrado. A expressão “o mundo jaz em pecado” exige um esclarecimento à moda de Isaías, e também achamos a explicação da mesma expressão em Doutrina e Convênios 49:20: “Mas não foi determinado que possuísse um homem mais do que o outro; portanto o mundo se acha em pecado.” Mamom (riquezas) é um deus ciumento; não se pode servir a ele e a qualquer outro mestre. Para escapar-se da atração poderosa dos bens do mundo e da ameaça mortal àqueles que não os possuem requer uma alma mansa e humilde—e corajosa!
O que é que Isaías diz que Deus exige àqueles que querem ser justificados (salvos)? Em primeiro lugar devem ser limpos de toda a contaminação: “Lavai-vos, purificai-vos,” diz ele no primeiro capítulo (Isaías 1:16). Não façais vossas orações de mãos cobertas de sangue. O indivíduo de mãos limpas e coração puro, diz o salmista, é aquele que “não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente” (Salmos 24:4). Isaías concorda: é aquele que “rejeita o ganho da opressão, que sacode das suas mãos todo o presente; que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal” (Isaías 33:15). O povo havia jejuado conforme ordenado por Deus e perplexo perguntou a Isaías por que Deus não o havia escutado. Ao responder-lhe, o profeta disse: “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, . . . e recolhas em casa os pobres abandonados; e quando vires o nu, o cubras . . . ?” (Isaías 58:6-7). Isto também serve de lembrete que nosso jejum requer uma oferta para os pobres. Deus não se impressiona com os templos magníficos que a humanidade Lhe constroi—em todo caso, tudo pertence a Ele, “mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” (Isaías 66:2). Se o povo continua a justificar-se—“também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações” (Isaías 66:3)—Deus não lhes tirará o arbítrio; dará a eles corda suficiente para enforcarem-se: “Também escolherei as suas calamidades, . . . porquanto clamei e ninguém respondeu; . . . e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer” (Isaías 66:4).
Depois de descrever os caminhos de Israel, o peso de Damasco, o peso do Egito, o peso de Babilônia e a Assíria—ou seja, o mundo como é mas não devia ser—Isaías representa em palavras resplandecentes a terra como devia ser—como foi destinada, conforme o propósito para o qual foi criada. “. . . Deus . . . não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada” (Isaías 45:18). A terra estará sob o seu domínio, ele é o Senhor e não há outro. A ele todo joelho dobrará e toda língua confessará. “E naquele dia . . . o fruto da terra será excelente” (Isaías 4:2). Tudo que resta são Sião e Jerusalém. “. . . oSenhor terá lavado a imundícia das filhas de Sião, e limpado o sangue de Jerusalém” (Isaías 4:4).
Sendo que Babilônia já não é, um grande suspiro de alívio se ouve; por fim o mundo se acalma e descansa. A cidade dourada, a opressora, não é mais (veja Isaías 14:4). A terra toda descansa. “Boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos” (Isaías 61:1). “Nunca mais se ouvirá de violência na tua terra, desolação nem destruição nos teus termos” (Isaías 60:18). Pelo contrário, “julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra” (Isaías 11:4). “Pois onde está o furor do que te atribulava?” (Isaías 51:13). “Ó vós . . . que não tendes dinheiro, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? . . . Vinde a mim, ouvi, e a vossa alma viverá” (Isaías 55:1-3). Que assombroso! Naquele dia o homem valerá mais que ouro—uma viravolta dos princípios do mundo. Ao mesmo tempo voltarão as florestas e as árvores se regozijarão: “Ninguém sobe contra nós para nos cortar” (Isaías 14:8). Freqüentemente Isaías compara a iniqüidade crescente do mundo com a exploração brutal e desperdício da natureza, que está chegando a seu auge na atual geração. Todos nós conhecemos suas passagens mais poéticas: “E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi” (Isaías 11:6-7). Nos meus dias de escola se considerava esta ilustração como se de um Isaías não realista que imaginava um monte de bobagem zoológica. Afinal, o que ele retratou não era a natureza de “dente sangrento e garras” do nosso mundo neo-darwiniano. Desde então muito se tem aprendido sobre a natureza verdadeira de certos animais selvagens. “Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9). “O deserto e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa. Abundantemente florescerá, . . . porque águas arrebentarão no deserto e rebeiros no ermo. E a terra seca se tornará em lagos, e a terra sedenta em mananciais de águas” (Isaías 35:1-2, 6-7); “Para que todos vejam, e saibam, e considerem, e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isto, e o Santo de Israel o criou” (Isaías 41:20).
E este mundo feliz é para todos, da mesma forma que a mensagem de cautela e da promessa de perdão de Isaías é para todos. Os filhos do estrangeiro que aderirem ao convênio “eu os levarei ao monte sagrado.” Eles irão ao templo, o qual será chamado “casa de oração para todos os povos” (Isaías 56:7). O Senhor Deus, que congrega os párias de Israel e todos os animais do campo, diz que não haverá mais cães de guarda para tormentá-los; será uma época felicíssima para o homem e o animal (veja Isaías 56:8-10). “Grandes são as palavras de Isaías” (3 Néfi 23:1). Foi-nos mandado examiná-las, estudá-las, ponderá-las, levá-las a sério, e compreender que as calamidades e bênçãos contidas nestas palavras foram destinadas para a nossa geração. Oro que as palavras deste grande profeta possam nos preparar tanto para estas calamidades como para as bênçãos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O profeta Isaías



























O profeta Isaías, teria vivido entre 740 a.C. e 681 a.C., durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, sendo contemporâneo à destruição de Samaria pela Assíria e à resistência de Jerusalém ao cerco das tropas de Senaqueribe que sitiou a cidade com um exército de 185 mil assírios em 701 a.C.

Isaías, cujo nome significa Iavé salva ou Iavé é salvalção exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma esposa conhecida como a profetisa que foi mãe de dois filhos: Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.

O capítulo 6 do livro informa sobre o chamado de Isaías para tornar-e profeta através de uma visão do trono de Deus no templo, acompanhado por serafins, em que um desses seres angelicais teria voado até ele trazendo brasas vivas do altar para purificar seus lábios a fim de purificá-lo de seu pecado. Então, depois disto, Isaías ouve uma voz de Deus determinando que levasse ao povo sua mensagem.

Focando em Jerusalém, a profecia de Isaías, em sua primeira metade, transmite mensagens de punição e juízo para os pecados de Israel, Judá e das nações vizinhas, tratando de alguns eventos ocorridos durante o reinado de Ezequias, o que se verifica até o final do caítulo 39.

A outra metade do livro (do capítulo 40 ao final) contém palavras de perdão, conforto e esperança.

Pode-se afirmar que Isaías é o profeta quem mais fala sobre a vinda do Messias, descrevendo-o ao mesmo tempo como um servo sofredor que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com justiça. Por isso, um dos capítulos mais marcantes do livro seria o de número 53 que menciona o martírio que aguardava o Messias:

"Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nosas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados". (Is 53:5)

Isaías descreve o formato redondo da Terra (Is 40:22), mais de mil anos antes de Copernico e Galileu lançarem as suas teorias sobre o heilocentrismo e por isso serem condenados pela Inquisição da Igreja Católica.

De acordo com a tradição judaica, Isaías teria sido morto serrado ao meio na época do rei Manassés.