“(...)PORQUE GRANDES SÃO AS PALAVRAS DE ISAÍAS”(...) – (3 Néfi 23:1)
(por Edson Artêmio dos Santos [Baseado no artigo homônimo de Hugh Nibley])
Queridos alunos e alunas. Sinto-me estremamente tocado pelo Santo Espírito de Deus nesta ocasião solene.
Nunca tinha feito algo semelhante no encerramento de uma classe de estudo no SEI. Porém sinto que esta classe, em especial, foi a classe do ano. Talvez devido a nossa intenção e comprometimento de tornar estes encontros semanais em momentos de consagração ao Pai e de busca de orientação do grande mestre e professor designado para este tempo, o divino Espírito Santo.
O Espírito que reinou em nossa primeira aula, foi algo inesquecível e até hoje sou grato por tão boa recepção de cada um de vocês. Eu os amo e respeito e sei que tudo o que foi vivenciado nesta classe foi obra de sua boa vontade de aprender e viver o que aprendeu.
Hoje, dentro deste mesmo espírito original, senti que deveríamos encerrar este semestre de estudo, com uma solenidade, uma aula solene, onde proponho que todos nós, busquemos saber se nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo, aceitou esta oferta que lhe entregamos a cada quarta-feira nesta sala. A oferta, não de apenas uma aula, mas de mentes dispostas, corações solícitos, olhos atentos, ouvidos abertos, lábios corteses, mãos calorosas e disposição irrestrita para aprender e viver o que era ensinado.
Esta é minha proposta e propósito nesta noite. Entregar ao Senhor este semestre de estudo de um Livro que foi indicado por Ele mesmo, como um estudo prioritário e por que não afirmar obrigatório:
“ E AGORA eis que vos digo que deveis examinar estas coisas. Sim, ordeno-vos que examineis estas coisas diligentemente, porque grandes são as palavras de Isaías.
Porque ele certamente falou sobre todas as coisas relativas a meu povo, que é da casa de Israel; portanto é preciso que ele fale também aos gentios.
E todas as coisas que ele disse foram e serão cumpridas de acordo com as palavras que ele disse.”(3 Néfi 23:1 - 3)
Esta solene declaração do Senhor Jesus Cristo, preservada no Livro de Mórmon, foi cumprida hoje? Podemos estar tranquilos e certos de que “examinamos” este livro em todas as suas possibilidades? Creio que ainda não. Gostaria de salientar novamente, que o objetivo deste curso é desmitificar que o Livro de Isaías é uma obra incomprencível; provar que, sob a divina orientação e reunindo um conhecimento básico do Plano de Salvação, podemos incursionar por estas páginas e examinar as grandes palavras de Isaías.
O erudito SUD Hugh W. Nibley, com toda a sua severidade, afirmou:
“O livro de Isaías é um tratado para os nossos dias; a nossa própria aversão a ele é testemunho de seu grande valor.”
Isso se dá em parte a linguagem rebuscada e poética de Isaías, mas mais ainda por sua mensagem dura contra a iniquidade. Sua mensagem não é popular. E o pior de tudo, sua mensagem é direcionada, principalmente ao único grupo de pessoas na Terra capazes de compreende-lo: Os Santos dos Últimos Dias.
O mesmo erudito, Hugh Nibley, afirma que existe um processo entre os estudiosos para tentar tornar o livro de Isaías mais aprazível. Devo confessar que muitas vezes durante a preparação de algumas aulas pensei o mesmo, pensei se deveria atenuar algumas de suas declarações, porém em todas as vezes, senti que vocês não precisavam disso, que mereciam ouvir e saber o que o Senhor sente a respeito desta Terra, tanto as suas promessas de glória como a realidade das trevas e do pecado.
Gostaria de ressaltar alguns dos enganos que os eruditos cometem ao tentar amenizar a mensagem de Isaías.
1) Isaías é um profeta moralista e não ensina a doutrina. Errado, desde o v. 2 do capítulo 1 ele está ensinando a doutrina pura do Evangelho (doutrina da paternidade de Deus). Ocorre que Isaías não discorre sobre os rudimentos da doutrina, mas entende que vocês já estão prontos para entenderem com mais profundidade. Coisas como a restauração, Livro de Mórmon, Joseph Smith, Templo está tudo ali!
2) A idéia de que o Deus de Isaías é selvagem, vingativo, o Deus do Velho Testamento. Errado, o Deus de Isaías é a prórpia bondade, é o Deus Servo do cap. 53, só Ele é capaz de fazer semelhante convite, a nós pecadores: “Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra.” (Isaías 1:18-19) Quem não quer ouvir tal Deus é a Israel pecadora.
3) A idéia de que Isaías dirige sua pregação a grupos especiais. Errado ele fala para uma única audiência. Ele fala para todas as gerações, em todos os tempos e lugares. Sua mensagem é única e decisiva para todo o ser humano nesta Terra que precisar do arrependimento.
4) A idéia de que existem dois ou três “Isaías”. Errado. Isaías é um só, assim como sua mensagem é única e sua audiência também. Ele é um vidente, ele viu cada dispensação e pode apresentar a sua mensagem para cada uma delas. A prova definitiva disto está no Livro de Mórmon, onde suas palavras são citadas na íntegra antes do exílio Babilônico.
5) A ênfase de que Isaías pregou somente contra a idolatria e a religiosidade pagã. Errado. Ele salientou que o pecado não era a idolatria pura, mas sim a substituição da da culpa que vem pela Lei de Deus, pela autorização muda do ídolo. O ídolo não se manifesta contra nada que o seu adorador fizer. O ídolo é impessoal e amoral. Semelhante ao dinheiro que temos no banco. Suas práticas saciavam seus apetites e paixões e mortificavam seu espírito.
Neste Livro sagrado, Deus manifesta as características de comportamento que Ele desaprova e que aprova.
Os principais vicios que ele denuncia são os vicios de pessoas bem sucedidas. Não vejo isso como uma apologia do fracasso, mas como uma advertência a substituição do que realmente tem valor para Deus e vem primeiro – O Reino de Deus. Como afirma Nibley:
“A iniqüidade e tolice de Israel não consistem em preguiça, nem em não se vestir bem, usar cabelo comprido, ser não-conformista, promover idéias e programas liberais, radicais e não realistas, nem na irreverência às tradições, desdém para os ídolos estabelecidos, e assim por diante. O povo mais iníquo do Livro de Mórmon são os Zoramitas, um povo próspero, patriótico, empreendedor, trabalhador, corajoso, independente e orgulhoso que muito bem-vestidos observavam rigorosamente as práticas religiosas todas as semanas. Dando graças a Deus por tudo que lhes havia dado, prestavam testemunho de Sua bondade. Sustentavam-se em todos os seus atos por uma auto-imagem lindíssima. Pois bem, o que há de errado com tudo isso? Há um fato que estraga tudo, e é a mesmíssima coisa que deixa Israel de mal com o Senhor, de acordo com Isaías. Os judeus observavam estritamente as regras que Moisés lhes deu—“E eis . . . que clamam a Ti,” mas na verdade estão pensando em outra coisa. “Eis, ó meu Deus, seus suntuosos ornamentos . . . todas as coisas preciosas . . . seu coração está preso a estas coisas e, no entanto, clamam a ti, dizendo: Agradecemos-Te, ó Deus, por sermos um povo escolhido por ti, enquanto outros perecerão” (Alma 31:27-28).”
Ao contrário é um povo que cumpre os ritos da lei de Moisés, é um povo que, modernamente, cumpre os requisitos externos da Lei de Cristo, mas que recebe a condenação de Deus “Pela iniqüidade da sua avareza me indignei, e o feri; escondi-me, e indignei-me; contudo, rebelde, seguiu o caminho do seu coração.”(Isaías 57:17) E sobre eles o Senhor falou em revelação moderna: “Contudo, sendo que alguns de meus servos não guardaram o mandamento, mas quebraram o convênio por cobiça e com palavras falsas, amaldiçoei-os com uma maldição severa e dolorosa.” (D&C 104:4)
A cobiça e a avareza impera em nossa sociedade moderna! Isaías condenou a opressão como o grande pecado social. É uma das principais características da Babilônia antiga e moderna (Isaías 14:4) É o retrato de uma sociedade competitiva e predadora consagrada por esta imagem:
“E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte.” (Isaías 56:11)
Ou nas palavras de Corior, o anti-Cristo:
“E disse-lhes muitas outras coisas semelhantes, afirmando-lhes que não poderia haver expiação para os pecados dos homens, mas que o quinhão de cada um nesta vida dependia de sua conduta; portanto cada homem prosperava segundo sua aptidão e cada homem conquistava segundo sua força; e nada que o homem fizesse seria crime.” (Alma 30:17)
Ele descreve as pessoas mundanas com atualidade surpreendente:
“Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedice; e continuam até à noite, até que o vinho os esquente!” (Isaías 5:11) – Uma vida sem propósito!
Estupidificam-se pelo ritmo da música:
“E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos.” (Isaías 5:12)
Seu servilismo à última moda:
“Diz ainda mais o SENHOR: Porquanto as filhas de Sião se exaltam, e andam com o pescoço erguido, lançando olhares impudentes; e quando andam, caminham afetadamente, fazendo um tilintar com os seus pés;” (Isaías 3:16)
E apresenta o lado negro do seu comportamento sexual quando compara Jerusalém com duas das cidades mais iníquas da história: Sodoma e Gomorra (Isaías 1:10,21), que representam a fina contravenção a lei de castidade. A aceitação completa do homosexualismo, a fornicação e o culto ao sexo livre em escala demoníaca.
Em suma ele apresenta o seu líder máximo e supremo exemplo de conduta, Lúcifer: “Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.”(Isaías 14:12-13)
Paradoxalmente Isaías também não ressalta as características esperadas de um sud – motivação, iniciativa, indústria, emprendedorismo, trabalho duro e piedade – todas elas passíveis de verificação externa e portanto sujeitas a contaminação e ao vício por puderem surgirem motivadas pelo egoísmo e perpetuadas pela rotina hipócrita.
Ele apresenta um Salvador que foi rejeitado e desprezado (Isaías 53:3) – cujo sacrifício supremo é visto pelo mundo como uma loucura e tem seu momento culminante em um instrumento de suplício reservado aos piores malfeitores. Isso faz perguntar-mos a nós mesmos – o que é ser bem sucedido?
Mais do que sucesso material o Senhor espera um povo limpo e puro. No primeiro capítulo o Senhor diz “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal.” (Isaías 1:16)
Ele espera um povo que é reto em tudo o que faz: “O que anda em justiça, e o que fala com retidão; o que rejeita o ganho da opressão, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal.” (Isaías 33:15)
Ele espera um povo que compreende como e porque devemos jejuar. Fazendo com que o jejum se torne em uma participação do processo de salvação própria e do próximo. E questiona:
“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?
Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” (Isaías 58:6-7)
Ele espera um povo que aceitou o convite do Senhor gratuíto: “Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi.” (Isaías 55:1-3)
E por conta de pessoas com estas características o mundo será transformado:
“Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar.”(Isaías 11:9)
“O DESERTO e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa. Abundantemente florescerá, e também jubilará de alegria e cantará; a glória do Líbano se lhe deu, a excelência do Carmelo e Sarom; eles verão a glória do SENHOR, o esplendor do nosso Deus.
Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo. E a terra seca se tornará em lagos, e a terra sedenta em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos.” (Isaías 35:1-2, 6-7)
O perdão é extendido a todos, estrangeiros ou párias. Unicamente bastando aceitar o convênio e viver a altura dele.
“Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram. (Isaías 56:8)
Por tudo isso, eu sei que grandes são as palavras de Isaías. São maiores do que eu. E oro que Ele aceite esta oferta feita hoje.
Em nome de Jesus Cristo,
AMÈM.
ATUALIZAÇÕES NO BLOG
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Caras Irmãs,
Estou tendo dificuldades em atualizar meu blog por falta de tempo. Sei que
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